Tecnologia contra a embriaguez ao volante

Mas não se iluda: trata-se de uma ideia dos Estados Unidos e não do Brasil

direcao-e-alcool - Caderno Garagem

O governo do presidente Joe Biden anunciou um pacotaço de incentivos à economia norte-americana, que inclui uma série de temas, entre eles, a implementação de tecnologia para impedir que motoristas dirijam alcoolizados. A ideia básica é que o departamento de trânsito dos Estados Unidos defina os padrões para essa tecnologia em um prazo de três anos. Depois disso, as montadoras teriam dois anos para começar a produzir veículos que atendam aos requisitos.

É uma forma de as fabricantes entrarem de uma vez na luta contra as mortes no trânsito. De acordo com estudo do Insurance Institute for Highway Safety (instituto de segurança nas estradas mantido pelas empresas de seguro) de 2020, sistemas desse tipo ajudam a salvar 9.000 vidas por ano, uma vez que o álcool aparece como fator determinante em 30% dos acidentes registrados nos Estados Unidos.

O IIHS também mencionou uma pesquisa de 2009, segundo a qual dois terços dos entrevistados apoiavam uma tecnologia que imobilizasse o veículo se o nível de álcool no sangue do motorista estivesse além do limite permitido.

Como se sabe – mas muitas vezes é ignorado –, o álcool muda as percepções e os reflexos de quem está ao volante. Entre 35% e 50% das mortes ocorridas no mundo todo registram a presença de álcool no organismo do motorista, segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). A principal causa de morte de jovens de 16 a 20 anos são os acidentes provocados pelo álcool.

Numa rodovia a 80 km/h, se precisar frear bruscamente por causa de algum obstáculo, o motorista embriagado vai demorar mais tempo para que essa reação aconteça. Ou seja, percorrerá uma distância maior até a freada e, consequentemente, a distância final até o carro parar totalmente será igualmente maior. Resultado: a chance de uma tragédia é potencializada.

O consumo de álcool altera o comportamento, as noções de perigo e o nível de consciência do motorista, que tende a dirigir em alta velocidade e a não utilizar o cinto de segurança.

E não se iluda com supostas soluções que fazem efeito imediato. Segundo especialistas, tomar café, ingerir aspirina e recorrer a um banho gelado não funcionam. O tempo de eliminação do álcool no sangue depende de características individuais, como peso, idade, sexo e estado físico.

Enquanto os Estados Unidos planejam usar a tecnologia como aliada, o Brasil mexe no bolso do motorista. Segundo o artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), conduzir um veículo sob efeito de álcool é considerado infração gravíssima, que pode acarretar até mesmo em suspensão do direito de dirigir por 12 meses. A multa é pesada: R$ 2.934,70. Em caso de reincidência, a paulada sobe para R$ 5.869,40.