Fusão de PSA e FCA movimenta o tabuleiro automotivo

União dos dois grupos resultará na quarta maior fabricante do mundo

 

A indústria automotiva se move como um jogo de xadrez. Cada passo é muito bem pensado para que os melhores resultados sejam vistos lá na frente. Depois de muito tempo mexendo suas peças estrategicamente, a FCA e a PSA anunciaram a fusão entre os dois grupos, dando xeque-mate a uma série de rumores e especulações sobre o assunto.

Segundo as empresas, ninguém beliscará uma fatia maior na sociedade, que será constituída em partes iguais (50/50), em um negócio que chega a 40 bilhões de euros. A união das duas gigantes dará origem à quarta maior fabricante do mundo, com potencial de produzir nove milhões de unidades por ano em todos os segmentos.

O manda-chuva do Grupo PSA, Carlos Tavares, também será o primeiro CEO da nova empresa em um período de cinco anos. Já o todo-poderoso do Grupo FCA, John Elkann, presidirá o conselho de administração, composto por 11 dirigentes oriundos das duas companhias.

Ao contrário de um jogo de xadrez, a fusão foi decidida com relativa rapidez. Nem mesmo o governo francês – dono de 12% da PSA – mostrou resistência, ele que era considerado um dos principais entraves para o sucesso da negociação. O que se diz nos bastidores é que o reerguimento da PSA sob o comando de Carlos Tavares foi fundamental para a aprovação do governo.

Os dois grupos calculam que a sinergia permitirá economia de 3,7 bilhões de euros por ano, sem a ameaça de fechamento de fábricas. Cerca de 80% dessa redução de custo serão alcançados pela maior eficiência nos investimentos em plataformas de veículos, motores e transmissões, novas tecnologias como eletrificação e sistemas de segurança e direção autônoma e no aumento da capacidade de compras por escala.

A fusão entre PSA e FCA é uma interessante via de mão dupla que, em tese, tem tudo para dar certo. Por um lado, a PSA abrirá as portas para participar nos mercados da América do Norte e da América Latina, graças às marcas Fiat, Dodge e Jeep. Além disso, atuará em segmentos premium com Alfa Romeo e Maserati.

A FCA, por sua vez, vislumbra ampliar horizontes na Europa com as marcas Peugeot, Citroën e Opel. Além de todas essas possibilidades, a união resultará em modelos mais modernos e tecnológicos aproveitando o que cada uma tem de melhor em áreas específicas.

A fusão será efetivada por uma holding sediada na Holanda, mas a estrutura administrativa global vai ser mantida nos escritórios centrais da França, Itália e Estados Unidos. Nenhuma minoria poderá barrar decisões, que serão tomadas por maioria simples (acima de 50% dos votos).

Desde a morte do big boss da FCA, Sergio Marchionne, em julho do ano passado, o grupo vinha estudando soluções para se manter economicamente viável. Foi ventilada até mesmo a venda para montadoras chinesas, o que não se concretizou. Agora, a mais nova fusão reabre uma discussão sempre presente no mundo automotivo: somente as grandes corporações terão fôlego financeiro para seguir atuando em um mercado tão voraz.

Existem muitas montadoras que fabricam uma infinidade de automóveis no mundo todo. E é consenso que não haverá espaço para todas, daí a necessidade de fusões e sinergias. Afinal, dois reis não podem ocupar o mesmo espaço no tabuleiro de xadrez.