Saiba como é medido o consumo de um carro elétrico

Conheça o padrão de avaliação mais usado na Europa e que deve se tornar padrão mundial

Como é medida a autonomia do seu carro elétrico - Caderno Garagem

Embora ainda não sejam populares no Brasil, os carros eletrificados já são realidade por aqui e uma dúvida que costuma surgir quando se fala neles está relacionada ao consumo. Afinal, como se avalia a autonomia desse tipo de veículo? Existe algum padrão a ser seguido (como nos modelos com motor a combustão)? A resposta para essas duas questões é sim.

Contudo, muita gente – principalmente na Europa, onde os automóveis eletrificados já são mais comuns – discute a maneira como a eficiência e a autonomia desses modelos é avaliada (polêmica que já existia na medição de consumo de gasolina ou diesel). O questionamento aborda principalmente o quão “próximos do real” são os números que as fabricantes de automóveis anunciam, já que a maioria dos motoristas nunca consegue alcançar os mesmos resultados na prática.

Como é medida a autonomia do seu carro elétrico - Caderno Garagem

A explicação se deve ao fato de as diferenças serem causadas por diversos fatores imprevisíveis e que estão fora do controle das fabricantes. Contudo, as montadoras são obrigadas a divulgar a autonomia de automóveis elétricos e híbridos ou o consumo de veículos com motores de combustão interna de acordo com um ciclo padrão.

Anteriormente, era utilizado o ciclo NEDC (New European Driving Cycle, ou Novo Ciclo Europeu de Condução), que está dando lugar ao WLTP (Worldwide Harmonised Light Vehicle Test Procedure (Procedimento Padrão Mundial de Teste de Veículos Leves), mais moderno e “próximo da realidade”.

Como é feito

O novo ciclo WLTP foi introduzido para fazer com que a autonomia anunciada ou os valores de consumo de combustível reflitam melhor a realidade que os motoristas vão conseguir alcançar no dia a dia. Para isso, o WLTP é baseado em velocidades mais elevadas (até 135 km/h), é mais dinâmico e leva mais em conta o peso real do veículo, além de outros elementos.

O teste consiste em um conjunto de procedimentos de ensaio utilizados para homologar veículos, e basicamente, ele se baseia em um ensaio WLTC (Worldwide Harmonised Light Duty Vehicle Test Cycle , feito em laboratório) e em um teste prático de condução, conhecido como RDE (Real Driving Emission), que mede as emissões reais de um automóvel no trânsito.

Como é medida a autonomia do seu carro elétrico - Caderno Garagem

A avaliação WLTC dura 30 minutos, durante os quais o veículo é conduzido em um dinamômetro, sobre rolos, durante 23 quilômetros a uma velocidade média de 47 km/h. O ciclo tem quatro fases de intensidade, que vão da mais baixa a mais alta, na qual o veículo supera 130 km/h, tudo isto a uma temperatura de 14 °C. Como o ciclo de testes WLTC é uma análise laboratorial, sob condições controladas, ele permite comparar os resultados, não só entre modelos da mesma fabricante, como entre automóveis de outras marcas.

Mesmo assim, os dados comunicados pelas fabricantes de automóveis podem ser diferentes daqueles obtidos pelos consumidores – o que é comum. “As razões para as diferenças podem basicamente ser agrupadas em quatro categorias. A primeira é a física do automóvel, ou seja, a aerodinâmica, o peso e a resistência ao rolamento; a segunda são as condições ambientais, ou seja, o clima e a temperatura exterior; o estilo de condução do condutor também é importante e, claro, o perfil da estrada, que muitas vezes pode ser mais exigente na prática do que a pista de ensaio”, explica Jan Benes, especialista em ciclos de ensaio de clientes da Skoda, marca de origem tcheca integrante do grupo Volkswagen. “Em geral, a condução suave e antecipada, sem acelerações rápidas, em tempo quente, sem vento e numa estrada plana com um automóvel sem carga resulta num menor consumo de combustível e numa maior autonomia”, completa.

Temperatura é crucial

Uma regra geral é que a autonomia e o consumo dos automóveis elétricos são mais afetados pela temperatura do que os equipados com motor de combustão interna. A temperatura exterior afeta tanto a eficiência da bateria de tração como, claro, a necessidade de aquecer ou refrescar a cabine. “Para a bateria de tração, a temperatura ideal de trabalho (dentro dos módulos da célula) está entre 10 °C e 35 °C”, explica David Pekárek, um dos responsáveis por sistemas de energia de alta voltagem da Skoda. “Em temperaturas mais altas, o arrefecimento da bateria é ativado por um sistema de ar condicionado de alta voltagem, que consome eletricidade. Já sob temperaturas mais baixas, por conta da natureza dos processos químicos nas células de íons de lítio que ocorrem mais lentamente, a capacidade de carga e descarga da bateria é gradualmente reduzida, o que, por sua vez, reduz a eficiência da regeneração, por exemplo”, acrescenta. “Em temperaturas abaixo de zero, a bateria precisa de ser novamente aquecida de forma ativa (utilizando um sistema de aquecimento de água de alta voltagem)”, completa.

A bateria também é afetada pelo estilo de condução: frenagens mais fortes e acelerações bruscas pode aquecer tanto a bateria que esta terá de ser arrefecida, mesmo com tempo frio. Assim, o próprio condutor pode afetar consideravelmente o consumo, já que, além da aceleração e desaceleração exigentes, as altas velocidades também têm efeito negativo na autonomia.