Avaliação: Nissan Versa se livra da imagem de carro feio

Sedã ganha design atual, mais espaço e equipamentos

 

O antigo Nissan Versa sempre teve um calcanhar de Aquiles, desde que foi lançado no Brasil, em 2011: o design, principalmente da traseira, que parecia toda desproporcional. Demorou, mas a marca japonesa resolveu o problema ao apresentar a segunda geração do modelo, no fim do ano passado.

É outro carro. A Nissan pegou um papel em branco e começou o desenvolvimento do sedã do zero. Ela não tirou o antecessor de linha, mas o rebatizou de V-Drive, posicionando-o em um patamar abaixo no mercado, a partir de R$ 61.990.

O novo Versa parte de R$ 76.890 na versão Sense, com câmbio manual. GARAGEM avaliou a topo de linha Exclusive, com transmissão CVT e que custa R$ 98.590.

De uma coisa o antigo Versa não pode ser criticado: o espaço interno era abundante. Mesmo assim, exceto o comprimento – que se manteve em 4,49 metros –, todas as medidas do novo Versa cresceram.

Agora, ele tem 1,74 m de largura (contra 1,69 m), 1,51 m de altura (1,50 m) e 2,62 de distância entre-eixos, dois centímetros a mais que o anterior. Ou seja, o Versa remodelado oferece mais espaço aos cinco ocupantes.

Para aumentar ainda mais o conforto a bordo, a Nissan conseguiu reduzir o nível de ruído interno, adotando mantas isolantes espessas no capô, nas colunas A e no painel. Os vidros das portas dianteiras, as borrachas de vedação e os carpetes ficaram mais grossos. Para completar, os retrovisores estão 40 mm afastados da carroceria, ajudando a reduzir do barulho provocado pelo vento.

Com 482 litros, o porta-malas leva mais bagagem, porque está 22 litros maior. Além disso, o carro oferece 20 compartimentos capazes de acomodar pequenos objetos.

A grande mudança, contudo, aconteceu no ponto mais crítico do Versa. O modelo estreou a estratégia global da montadora japonesa de renovação do portfólio de sedãs e o esforço foi recompensado.

O carro ficou bonito, a começar pela dianteira: a grade V-motion lhe dá aparência mais robusta. Os faróis são de LED e acompanham as linhas do capô vincado. Na traseira, a superfície curta da tampa e as lanternas em formato de bumerangue renovaram uma parte tão controversa do sedã. Os retrovisores externos são da cor da carroceria (com regulagem elétrica e aquecimento) e integram luzes de mudança de direção.

O novo Versa vem equipado com mais tecnologias avançadas de segurança, como alerta de colisão frontal com assistente inteligente de frenagem, alerta de tráfego cruzado traseiro, visão 360 graus e sensor de ponto cego.

Um dos diferenciais é o alerta de objetos no banco traseiro, que avisa o motorista se ele esqueceu algo dentro do carro. O sistema é acionado quando o condutor abre e fecha uma das portas traseiras ou o porta-malas antes de sair. Ao chegar no destino, se ele esquecer de abrir a porta traseira, o carro emite três toques curtos da buzina e uma mensagem no painel para avisá-lo que algo foi deixado no banco. Esse recurso evita o absurdo de deixar para trás o bebê ou o animal de estimação.

Em conectividade, o Versa dispõe da central multimídia Nissan Connect, dotado de tela de sete polegadas e compatível com Android Auto e Apple CarPlay. O painel de instrumentos em TFT possui mostradores configuráveis e traz 12 funcionalidades, que auxiliam o motorista com informações sobre os equipamentos e sua segurança.

O motor do Versa é o 1.6 16V, de 114 cv de potência e 15,5 kgfm de torque. Andamos em percursos urbanos e em aproximadamente 500 km de estrada. Ele pediu mais visitas aos postos de abastecimento do que eu esperava, talvez pelo tamanho reduzido do tanque, de apenas 41 litros. Segundo números oficiais, o sedã roda 8 km/l na cidade e 10 km/l na estrada com etanol e, respectivamente, 11,7 km/l e 13,9 km/l com gasolina. Nossa média com etanol chegou a 8,2 km/l.

Faltou um pouco de torque também em uma subida mais acentuada coberta de cascalho e terra molhados. Ok, o Versa não nasceu para as trilhas, mas um piso menos aderente pode aparecer pela frente. Confesso que tive medo de o carro não conseguir subir. Mas ele seguiu em frente, apesar de deslizar um pouco no caminho escorregadio.

O visual moderno chama atenção e não há quem não faça o paralelo com o antecessor que, apesar da feiura, não deixa de ser uma boa opção de compra na faixa de R$ 60.000. Mas, espertamente, a Nissan manteve o nome Versa só para o modelo novo, que agora quer escrever sua própria história entre os sedãs.