Porsche e Exxon Mobil desenvolvem novo combustível nas pistas

Objetivo é criar um combustível sintético com baixa emissão de carbono e que ajude a reduzir os gases de efeito estufa

Muita gente anda dizendo que o futuro do automobilismo está nos carros elétricos e que, em breve, não teremos mais carros com motores a combustão interna – aliás, até montadoras estão anunciando isso. A Porsche, contudo, pensa um pouco diferente e anunciou recentemente que está trabalhando em parceria com a Exxon Mobil no desenvolvimento de um novo combustível sintético que não só terá baixa emissão de carbono como vai ajudar a reduzir os gases de efeito estufa na atmosfera. E o melhor (ao menos para os amantes de velocidade) é que a montadora de Zuffenhausen está usando as pistas como laboratório para esse novo combustível renovável. O desenvolvimento tem duas etapas.

Na primeira, os modelos 911 GT3 que disputam a Porsche Mobil 1 Supercup estarão usando um novo biocombustível produzido a partir de resíduos de alimentos, que são combinados com outros elementos, a fim de garantir as propriedades necessárias para um bom combustível. Os motores boxer de seis cilindros que trabalham em altas rotações para entregar 510 cv são considerados perfeitos para os testes, já que trabalham em condições extremas durante um período considerável de tempo.

A segunda etapa está prevista para 2022, com a introdução de um combustível sintético, o eFuel, que será obtido a partir da fábrica-piloto de Haru Oni, no Chile, que vai produzir hidrogênio. Esse gás, combinado com dióxido de carbono – elemento que não é considerado poluente por ser natural, mas que é um dos principais vilões do efeito estufa – capturado da atmosfera vai resultar em metanol, que a Exxon Mobil vai converter em uma gasolina com muito menos carbono. A previsão é que esse processo permita reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 85% e que, posteriormente, esse combustível seja oferecido comercialmente.

“O desenvolvimento de novas tecnologias nas corridas são uma tradição de décadas na Porsche; estamos orgulhosos de assumir um papel pioneiro para a empresa em um tema crítico como os combustíveis sintéticos”, declarou Oliver Schwab, gerente de projetos da Porsche Mobil 1 Supercup. “Esta é a primeira competição internacional a usar combustíveis renováveis; como nossas provas fazem parte do Mundial de Fórmula 1, estaremos muito expostos aos olhos da mídia, do público e de outras fabricantes envolvidas no automobilismo”, completou.

Vale a pena ficar de olho

Porsche e Exxon Mobil iniciaram os testes com os novos combustíveis em 2019, e já no ano passado passaram para as avaliações práticas com motores em bancada, onde foram analisados materiais, componentes do sistema de alimentação dos propulsores e uma série de testes em uma ampla gama de condições. Agora, o Esso Renewable Racing Fuel (combustível renovável de corrida) será usado em todas as oito provas da temporada deste ano, que começa em maio no GP de Monaco e termina em setembro, no GP da Itália, em Monza. Os carros terão apenas uma atualização no software para otimizar o desempenho do motor, o que vai permitir que a potência dos novos 911 GT3 Cup permaneça a mesma.

Vale esclarecer que, apesar do investimento em novos combustíveis renováveis, a Porsche segue com seus planos de eletrificação, que preveem 80% de seu catálogo formado por modelos com motores elétricos. “A eletrificação de nossos veículos é a maior prioridade para nós”, afirmou Michael Steiner, diretor executivo de pesquisa e desenvolvimento da montadora. “Combustíveis sintéticos são um bom complemento para a nossa estratégia, já que permitem que nossos clientes dirijam carros com motores a combustão convencionais, assim como híbridos plug-in com muito menos emissões de gases de efeito estufa”, completou.

Em tempo: o “nosso” etanol tem como grandes vantagens ambientais o fato de ser renovável e o seu processo produtivo compensar a emissão de poluentes. A produção do combustível sintético, segundo a Porsche, é mais vantajosa por não só emitir menos poluentes, como capturar o dióxido de carbono da atmosfera, ajudando a reduzir os efeitos dos gases de efeito estufa e, consequentemente, as mudanças climáticas.