Avaliação: Chevrolet Tracker vira o jogo

Esqueça aquele carro que era um clone do Suzuki Grand Vitara. O SUV da GM mudou totalmente e vem subindo nas vendas

 

A primeira vez que o Chevrolet Tracker deu as caras no Brasil foi em 2001. Mas o SUV era Chevrolet até a página 2. Tratava-se, na verdade, de um clone do Suzuki Grand Vitara, que levava o emblema da montadora americana graças a um acordo entre as duas fabricantes. A partir dali, o carro teve uma trajetória acidentada no país e a General Motors não conseguiu inseri-lo no ranking dos utilitários esportivos compactos mais vendidos.

O jogo começou a mudar em março passado, quando a GM lançou o novo Chevrolet Tracker. Sete meses depois, ele já figurava em quarto lugar no ranking (atrás de VW T-Cross, Jeep Renegade e Jeep Compass), com mais de 36.000 emplacamentos até outubro.

Qual foi a chave da virada? A montadora mudou toda a estratégia em torno do modelo. Além do facelift – que realmente o transformou para melhor –, ganhou motores 1.0 e 1.2 turbo, tem mais conectividade (palavrinha que faz brilhar os olhos de muitos consumidores) e oferece mais versões. Os preços partem de R$ 89.690 e vão a R$ 122.490.

GARAGEM avaliou a versão topo de linha Premier. O motor 1.2 flex de três cilindros desenvolve 133 cv de potência e 21,4 kgfm de torque. A velocidade máxima chega a 185 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h é completada em 9,4 segundos. A transmissão automática de seis marchas atua em conjunto com a tração dianteira.

Segundo a fabricante, o Tracker 1.2 Premier percorre 11,2 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada com gasolina no tanque e, respectivamente, 7,7 km/l e 9,4 km/l abastecido com etanol – valor aquém do esperado para esse motor. Na nossa avaliação, o veículo andou sempre com gasolina e cravou a média de 11,5 km/h misturando os dois circuitos.

O Tracker sutilmente cresceu em comparação à geração anterior. Está 1,2 cm maior (4,27 metros de comprimento), 1,5 cm mais largo (1,79 m de largura) e a altura (1,62 m) foi ligeiramente reduzida, melhorando o centro de gravidade e, consequentemente, o comportamento aerodinâmico. A distância entre-eixos de 2,57 m satisfaz, porque permite que três adultos se acomodem no banco de trás sem apertos. No entanto, mesmo 30% maior, o porta-malas de 393 litros poderia ser mais amplo.

Modernidade também na parte de dentro

O design atualizado transmite a impressão de que o SUV é ainda maior. Na dianteira, o capô com vincos foi elevado e termina em uma grade estreita fina e que recebe a gravatinha da Chevrolet. Na parte inferior, uma enorme grade está ladeada pelas luzes de sinalização finas e na posição vertical. Na lateral, a principal novidade é a presença de uma janela na coluna C, o que amplia a visibilidade durante as manobras.

Toda a base dos para-choques, das portas e dos para-lamas ganhou uma moldura escura, que reforça a aparência de robustez. A exemplo do que acontece nos faróis, a iluminação de LED está presente nas lanternas, agora bipartidas. A tampa traseira redesenhada é, por assim dizer, dividida em duas por uma espécie de saliência, que cria um efeito visual interessante.

A modernização do Tracker se estende no interior. O projeto alargou e rebaixou o painel, para que o motorista tenha melhor visualização dos instrumentos. No quadro central, velocímetro e conta-giros possuem grafismos exclusivos e ponteiros iluminados por LEDS. No meio, a tela de TFT colorida mostra o nível de combustível e quais ocupantes traseiros não afivelaram o cinto de segurança. Além disso, o visor do computador de bordo agrupa 14 funções, como indicador de distância do veículo à frente e pressão dos pneus.

A GM caprichou na conectividade. O SUV oferece wifi nativo, sistema de recarga de smartphone sem a necessidade de cabo e central multimídia MyLink com tela de sete polegadas, compatível com Apple Car Play e Android Auto e conexões USB e Bluetooh.

O quesito segurança também merece elogios. O Tracker dispõe de seis airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração, assistente em partida em rampa, alerta de colisão com sistema de frenagem autônoma em caso de emergência, alerta de ponto cego e sensores de estacionamento dianteiros, traseiros e laterais com indicação gráfica no computador de bordo.

Apesar de todas as qualidades do Tracker que reagiu no mercado, o que o diferencia mesmo dos outros SUVs compactos é a tecnologia OnStar. Ela é capaz, por exemplo, de rastrear o veículo em caso de roubo e forçar a sua parada. Em um acidente com acionamento de airbags, o Tracker envia um sinal à central de atendimento para que ela entre em contato com os ocupantes, enviando socorro médico se necessário.

Socorro é o que estão pedindo alguns SUVs sem o recurso parecido com OnStar. Em caminho inverso ao do Tracker – que vem agradando os consumidores – eles despencam no ranking de vendas e pensam em alternativas para subir novamente.