Não ferva, não congele

Por que escolher o aditivo certo é tão importante?

Há vários componentes do automóvel que não recebem nossa atenção como deveriam. Muita gente acha que basta colocar combustível e rodar, esperando que alguma luz no painel se acenda para avisar sobre providências a serem tomadas. Pode ser tarde demais.

O aditivo de radiador possui um papel de extrema importância no funcionamento do sistema de arrefecimento do motor. Composto de monoetilenoglicol e outros componentes que servem de proteção para o sistema, os aditivos têm como principais funções a antifervura, o anticongelamento e a proteção contra corrosão, mantendo assim a temperatura de funcionamento do motor dentro da faixa recomendada, garantindo o correto funcionamento do sistema em situações de altas e baixas temperaturas.

Bons aditivos também são os responsáveis por proteger os metais do acúmulo de sedimentos, contando com inibidores adequados em sua mistura, que proporcionam uma maior proteção, como por exemplo o já citado monoetilenoglicol.

 

VERIFIQUE A ESPECIFICAÇÃO

Nem todos sabem, mas o aditivo de arrefecimento é regido por normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sendo a ABNT NBR 13705:2016 para o produto concentrado, e a ABNT NBR 14261:2016 para produto diluído. Isso significa que fabricantes e importadores têm diretrizes técnicas que podem seguir antes de colocar o produto no mercado.

“As normas ABNT descrevem as características de desempenho que o aditivo de arrefecimento deve possuir para atender às necessidades dos veículos, entre as quais, regular a temperatura do motor e lubrificar os componentes do sistema de arrefecimento, como bomba d’água, radiador e válvulas termostáticas”, explica Sergio Kina, gerente de Operações do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva.

Existem dois diferentes tipos de aditivos de arrefecimento no mercado, os orgânicos e os inorgânicos, apresentados na forma concentrada e diluída. Cada veículo utiliza um aditivo e em proporções de diluição especificadas pela montadora. “Por isso, recomendamos sempre a utilização do produto preconizado no manual de propriedade do veículo”, comenta Kina.

Aditivos orgânicos levam elementos derivados de base animal e vegetal em sua composição, o que faz com que eles tenham uma alta durabilidade e vida útil estendida. Já os inorgânicos, ou sintéticos, levam elementos derivados de sais em sua composição, e por isso têm uma durabilidade mais limitada do que os orgânicos. Seu lado positivo é que esses aditivos formam uma camada protetiva com mais rapidez ao serem colocados no sistema de arrefecimento.

Apesar de apresentarem diferenças de composição e durabilidade, os dois tipos de aditivos têm a mesma capacidade de proteção do sistema de arrefecimento, atendendo integralmente às normas ABNT.

 

MITOS

O principal mito contado sobre estes aditivos é que eles são responsáveis por causar corrosão ou vazamentos no sistema de arrefecimento.

Um bom aditivo contém substâncias antioxidantes que são capazes de prevenir e recolher a sujeira e fuligem presentes no sistema de arrefecimento. Em casos de utilização anterior de soluções arrefecedoras de baixa qualidade, o sistema pode apresentar ferrugem acumulada, sendo este acúmulo indevido, o responsável por manter o sistema, temporariamente, livre de vazamentos. Sendo assim, uma vez aplicado o aditivo correto, a limpeza do sistema se inicia e elimina o acúmulo de ferrugem. Por este motivo, muitos culpam o aditivo por começar o vazamento no sistema, mesmo que, anteriormente, ele já estivesse comprometido.

PONTOS DE ATENÇÃO

Utilizar um aditivo de baixa qualidade pode trazer muitos problemas a longo prazo. Listamos algumas consequências que você está exposto quando renuncia à qualidade do produto, ou simplesmente adiciona apenas água no sistema:

  • Corrosão do sistema de arrefecimento (radiador, bomba d’água e tubulações em geral);
  • Erosão por cavitação de componentes internos do motor;
  • Escamação (partículas brancas que revestem as superfícies internas do sistema de arrefecimento);
  • Deterioração de vedações e tubulações;
  • Formação de gel/borra no sistema de arrefecimento.

 

QUANDO TROCAR

Cada fabricante recomenda um período diferente para troca do líquido de arrefecimento, dependendo do tipo de aditivo aplicado e características de projeto e uso do veículo. Portanto, é fundamental que as recomendações do manual do proprietário do veículo sejam seguidas, incluindo o respeito à especificação do aditivo recomendado.

Outro fator importante negligenciado em relação ao assunto é o emprego de água de torneira no sistema de arrefecimento. O cloro, utilizado no tratamento da água encanada, é corrosivo, e pode prejudicar componentes metálicos e tubulações. Aditivos podem ser adquiridos já diluídos para aplicação, ou na forma concentrada, que deve ser misturada sempre com água desmineralizada, na proporção recomendada pelo fabricante.

O custo desta manutenção é extremamente baixo em relação à quilometragem que o veículo percorre entre as trocas. Sem dúvida bem mais baixo que um motor danificado no meio da estrada à espera de um guincho.