Grupo Volkswagen divulga estratégia de eletrificação

Ao lado de parceiros, empresa investirá em fabricas de desenvolvimento de baterias na Europa e instalação de eletropostos

 

O Grupo Volkswagen revelou, hoje (15), o Power Day, apresentação que define a estratégia para uso de baterias e carga até 2030. A ideia da empresa é apontar caminhos para reduzir a complexidade e custo da bateria, tornando o carro elétrico mais acessível e garantindo o suprimento de células de baterias a longo prazo.

É voz corrente no mercado automotivo que a produção em grande escala é um dos passos para deixar as baterias mais baratas – derrubando, consequentemente, o valor dos carros eletrificados. Se é assim, a notícia é boa: na Europa, seis gigafábricas, com capacidade de produção total de 240 GWh, serão instaladas até o fim da década. A Volkswagen também persegue a expansão de uma rede pública de carga rápida, tanto que acertou acordos de cooperação com as empresas de energia BP (Grã-Bretanha), Iberdrola (Espanha) e Enel (Itália).

“A mobilidade elétrica é fundamental. Estamos bem adiantados na corrida pela melhor bateria, beneficiando o cliente na era da mobilidade com emissão zero”, afirma Herbert Diess, presidente do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen. A responsabilidade pela trajetória tecnológica da companhia ficará a cargo da empresa Volkswagen Group Components, liderada por Thomas Schmall, que já presidiu a marca no Brasil e atualmente é membro do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen responsável pela tecnologia e CEO do Volkswagen Group Components. 

Os acordos visam fomentar o desenvolvimento da capacidade produtiva na Europa, a fim de atender à demanda por células de bateria. “Ao lado dos parceiros, planejamos ter seis fábricas de células até 2030, garantindo a segurança do suprimento”, explica Schmall. A missão das fábricas será produzir células com valor energético total de 240 GWh por ano quando estiverem prontas. As duas primeiras fábricas funcionarão em Skellefteå (Suécia) e Salzgitter (Alemanha).

Com isso, a Volkswagen cumprirá as metas traçadas pelo Acordo Verde da União Europeia. Aliás, ela mudou o foco do plano anterior de produção de células, ao decidir se concentrar no desenvolvimento de módulos premium na gigafábrica de Skellefteå, em colaboração com a Northvolt. A produção começará em 2023 e será ampliada gradativamente para uma capacidade anual de até 40 GWh.

Já a gigafábrica de Salzgitter produzirá a célula unificada para o segmento de alto volume a partir de 2025 e desenvolverá inovações nas áreas de processo, design e química. Segundo a Volkswagen, esse redirecionamento vai proporcionar economia de escala e diminuir a complexidade da produção.  “Além disso, queremos aumentar a autonomia e a performance das baterias”, diz Schmall.

Se não bastasse tomar as rédeas da própria produção, outros benefícios são esperados graças à nova célula unificada, cujo lançamento está programado para 2023 para a instalação em 80% dos veículos elétricos do grupo até 2030. Quando isso acontecer, a Volkswagen afirma que os custos das baterias no segmento de entrada cairão 50% e no de alto volume, 30%.

“Na média, vamos reduzir o custo dos sistemas de baterias abaixo de 100 euros por quilowatt-hora”, prevê Schmall. Segundo a companhia, a nova célula unificada também deverá proporcionar as melhores condições de transição para a célula de estado sólido — o próximo salto na tecnologia das baterias. Falamos sobre isso aqui no Garagem na seção TECNOLOGIA em 30/07/2020.

Com investimentos de 400 milhões de euros, a empresa pretende operar cerca de 18.000 postos públicos de carga rápida na Europa até 2025, número cinco vezes maior que o atual e equivalente a um terço da demanda total prevista para a Europa em 2025. Os carregadores rápidos, com capacidade de carga de 150 kW, serão instalados em 4.000 postos de combustível, a maioria localizada na Alemanha e Grã-Bretanha. Mas outros mercados, como o dos Estados Unidos e da China, estão igualmente na mira. Ao lado da Electrify America, a Volks planeja chegar a 3.500 postos de carga rápida na América do Norte até o final do ano e 17.000 na China até 2025, por meio da joint venture CAMS.