Nissan segue desenvolvendo uso de bioetanol em células de combustível

Montadora renovou acordo com Ipen para desenvolvimento do combustível renovável em veículos movidos a células de combustível

A Nissan do Brasil anunciou ontem (14) que renovou sua parceria com o Ipen –Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – para pesquisa e desenvolvimento de um veículo movido a Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC, na sigla em inglês), o qual poderá produzir energia elétrica a partir do uso de bioetanol. O novo acordo dá continuidade ao anterior, assinado em novembro de 2019, e foi oficializado em cerimônia virtual que contou com a presença de Airton Cousseau, presidente da Nissan Mercosul e diretor geral da empresa no Brasil e de Wilson Calvo, superintendente do Ipen.

O objetivo do trabalho em conjunto é avaliar e tornar viável o uso de diferentes componentes, além de e torná-los adequados para uso em possíveis projetos em escala comercial. Um dos desafios, por exemplo, é integrar o reformador – item muito importante do sistema – à célula de combustível. Reduzir o tamanho do sistema é outra dificuldade que os técnicos buscam solucionar.

“Seguimos avançando com as pesquisas e esse novo acordo representa um novo passo do projeto global de Célula de Combustível de Óxido Sólido da Nissan, que também é muito interessante para o Brasil, por se encaixar perfeitamente na nossa matriz energética”, afirmou Airton Cousseau. “Pelo conhecimento técnico das instituições brasileiras, como o Ipen, as parcerias locais são fundamentais para contribuir com a iniciativa global da marca”, completou.

Em busca de alternativas limpas

A Nissan do Brasil explicou ainda que as pesquisas e os desenvolvimentos do Ipen/Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear) na área de novas energias renováveis, lideradas pelo Centro de Células a Combustível e Hidrogênio, estão de acordo com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU e com as ações mundiais para a redução das emissões de CO2, provenientes da queima de combustíveis fósseis.

“Esse acordo de inovação firmado com a Nissan é mais uma demonstração da nossa excelência e do nosso compromisso institucional em prol da sociedade, promovendo a transformação do conhecimento científico em produtos e serviços de valor agregado ao mercado”, disse Wilson Calvo, do Ipen. “O Ipen/Cnen tem a inovação em sua visão e, além disso, abriga a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de São Paulo (USP/Ipen-Cietec) que conta, atualmente, com 93 startups, consolidando um ecossistema de inovação e empreendedorismo”, acrescentou.

A Nissan afirma que é a primeira empresa a desenvolver e já testar protótipos que são abastecidos com bioetanol para gerar energia elétrica para carregar uma Célula de Combustível de Óxido Sólido (SOFC). De acordo com a montadora japonesa, o uso desse tipo de sistema, combinado com a reconhecida eficiência dos motores elétricos e do sistema de bateria garantem ao Nissan SOFC autonomia superior a 600 km a partir de apenas 30 litros de etanol! Por contar com uma ampla rede de abastecimento de bioetanol – e de ser um dos principais produtores do combustível no mundo –, o Brasil tem papel chave no desenvolvimento e em estudos de viabilidade do projeto.

Pesquisas em andamento

O primeiro período de testes com um protótipo do sistema foi realizado no Brasil entre 2016 e 2017. Dois modelos e-NV200 equipados com o sistema SOFC foram avaliados pelos técnicos do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Nissan do Brasil e demonstraram que a tecnologia é perfeitamente adaptável à rotina e ao combustível brasileiro. Hoje, os testes seguem sendo conduzidos pela Nissan no Japão com colaboração da equipe brasileira e de parceiros locais, como o Ipen/Cnen.

“Eletrificar o etanol, um combustível renovável e estratégico para o País, tem um enorme potencial no contexto das novas energias sustentáveis. A Nissan tem a visão de que investir globalmente em pesquisa é um caminho para superar os desafios existentes para conquistar novas tecnologias. Ver os desenvolvimentos do Ipen participando desse processo é muito gratificante, afirmou Fabio Coral Fonseca, pesquisador do Ipen/Cnen.

A tecnologia de Célula de Combustível de Óxido Sólido da Nissan conta com sistema gerador de potência que se utiliza da reação química do oxigênio com diversos combustíveis, incluindo etanol e gás natural, que são transformados em hidrogênio na célula, para gerar eletricidade.

O sistema é limpo, altamente eficiente e funciona com etanol ou água misturada ao etanol. Suas emissões são 100% limpas, se inserindo como parte do ciclo natural do carbono e sendo absorvido durante a plantação da cana-de-açúcar. Além disso, o veículo movido a Célula de Combustível oferece a aceleração empolgante e a condução silenciosa de um veículo elétrico, com conjunto com baixos custos de manutenção.