Fatores de riscos ao volante

Uso de bebidas e drogas, sonolência, pessoas com problemas de saúde... Veja o que pode potencializar um acidente sério no trânsito

Há uma série de fatores que interferem na capacidade de dirigir dos motoristas que, nem sempre, tomam os cuidados necessários ao volante. O consumo de determinados remédios e de bebidas alcoólicas (responsável por boa parte dos acidentes) e o uso de drogas estão entre as principais ameaças do trânsito. Dirceu Rodrigues Alves Junior, diretor do departamento de medicina de tráfego ocupacional da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), revela alguns riscos que transformam o motorista em uma bomba ambulante.

Se beber, não dirija

Ao ser ingerido, o álcool é rapidamente absorvido pelo aparelho digestivo, caindo na circulação e promovendo uma ação imediata no sistema nervoso central. Depois de uma passageira sensação de prazer, a bebida provoca torpor e sonolência. Em outros casos, a pessoa fica agitada e emotiva. Mas há quem desenvolva agressividade e o passo seguinte é arranjar confusão e briga.

Nenhum desses estados é compatível com a condução de um veículo. Quanto maior o volume ingerido e a concentração de álcool da bebida, maiores os efeitos. Há prejuízo da coordenação motora e desorientação espacial. Daí a incapacidade de identificar a distância correta em relação a outros veículos, pedestres e obstáculos à frente.

Consumo de drogas

A ingestão de drogas ilícitas, como maconha e cocaína, provoca ação direta no sistema nervoso central. A maioria das drogas mais consumidas altera os reflexos e leva a dificuldades motoras e desorientação espacial. Outro efeito comum é a visão borrada ou com imagem dupla. Em situações mais graves, ocorrem delírios e alucinações. Drogas legais também são capazes de interferir no motorista, de acordo com a sensibilidade de cada um.

Algumas pessoas passam mal se tomar um simples comprimido de dipirona, sentindo queda de pressão e tontura. Há medicamentos que causam efeitos colaterais, como perda de reflexo, torpor, sonolência, redução da vigília e reações tardias. São eles: analgésicos, antialérgicos, xaropes que contenham anti-histamínicos, colírios dilatadores da pupila, antigripais, descongestionantes nasais, antidepressivos, ansiolíticos e anticonvulsivantes. Ao receitar um remédio, o médico deve sempre alertar sobre a influência dele sobre a capacidade de dirigir.

Perigos da idade

Os idosos têm dificuldades maiores no trânsito. Algumas pessoas sofrem perdas visual e auditiva, atraso nos reflexos e dificuldade na coordenação motora. Doenças degenerativas afetam a saúde física e mental do motorista.

Recomendações aos baixinhos

Desde que haja adequação do banco, encosto, pedais, volante e retrovisores, pessoas de estatura muito baixa podem dirigir sem problemas. Também é necessário verificar que motoristas muito baixos geralmente precisam de ajuste entre o assento e o equipamento de retenção, pois sua distância para o ponto de ação máxima do airbag pode representar risco de lesão.

Sono ao volante

Quem dorme ao volante pode não acordar mais. Esse é um dos maiores perigos da direção veicular. Mais de 40% dos acidentes são provocados por motoristas com sonolência. Outros 18% estão ligados à fadiga. Lavar o rosto com água fria e tomar café são medidas paliativas. O único recurso eficiente para combater a sonolência é… dormir.

O sono surge pela produção de um neuro hormônio produzido pela hipófise. Não há nada que iniba a ação do hormônio, exceto drogas condenáveis, como o “rebite”, muito comum entre os caminhoneiros. Estudos com motoristas profissionais apontam que 53% já cochilaram na direção. A combinação de fadiga, sono e jornadas longas provoca microssonos na direção e o sinistro é inevitável.

Teste para cardíaco

Portadores de problemas no coração merecem mais atenção. Vale lembrar que dirigir faz com que a glândula supra renal produza mais adrenalina e noradrenalina, que aumenta o estado de vigília e atua sobre o sistema circulatório e, logicamente, o coração. Quem tem hipertensão arterial, arritmias, insuficiência cardíaca congestiva e valvulopatias deve passar por avaliação médica periódica.

Problemas psiquiátricos

As doenças psiquiátricas são crônicas, desenvolvem surtos, alucinações visuais, auditivas, agitações psicomotoras e até convulsões. Pessoas com esses problemas fazem uso continuado de medicamentos controlados, que atuam diretamente no sistema nervoso central. Diagnosticados como esquizofrênicos não devem dirigir.