Mais respeito e menos “gentileza”

Antes de ser “bonzinho” no trânsito, é mais recomendável que as pessoas reaprendam as regras básicas de convivência para melhorar a situação por aqui

 

Você certamente já deve ter visto o desenho animado “Motor Mania”, produzido pelos estúdios Disney nos anos 1950, mas se ainda não viu, basta procurar pelo título ou por “Pateta no trânsito” no YouTube. Apesar de já contar com 70 anos (!), a animação continua mais atual do que nunca, e mostra como um cidadão comum, pacato e educado, se transforma em um maluco descontrolado atrás de um volante.

Eu não sou psicólogo e nem tenho a pretensão de explicar o que leva as pessoas a terem esse tipo de comportamento, mas acredito que uma regra básica pode ajudar muito a melhorar o cenário no Brasil: respeito às regras de trânsito. Talvez você ache que eu estou exagerando, mas não é preciso pesquisar muito para constatar a quantidade de motoristas trafegando por aí que desrespeitam locais de estacionamento, faixas de pedestres, semáforos etc.

Por exemplo, você sabe que é proibido estacionar em uma distância de dez metros antes e depois de um ponto de ônibus? E que também não se pode deixar o carro a menos de cinco metros de uma esquina? Ou que em uma rotatória a preferência é sempre de quem já está nela? Parecem regras básicas, concorda? Pois então pergunto: por que tanta gente as ignora?

Lembro que há algum tempo, uma empresa de seguros lançou uma campanha publicitária na qual incentivava as pessoas – e especialmente os motoristas – a serem mais gentis no trânsito. Aparentemente, não há problema nenhum nessa ideia, afinal, seria maravilhoso ver motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres sendo mais corteses nas vias brasileiras. O problema, a meu ver, é que muita gente confunde as coisas.

Outro dia, por exemplo, vi um sujeito reduzir bruscamente a velocidade em uma avenida para deixar uma moça atravessar a via. Detalhe: atrás do carro do rapaz vinha um ônibus trafegando na velocidade permitida e que teve de frear vigorosamente para evitar um acidente. Seria exagero pedir para a moça atravessar a avenida na faixa de pedestres? Ou que pelo menos ela aguardasse o momento adequado para atravessar? E que o motorista prestasse mais atenção no movimento ao redor antes de diminuir a velocidade?

Obviamente, não estou sugerindo que todo mundo obedeça as regras ao pé da letra durante 24 horas todos os dias, pois é claro que existem situações nas quais é possível flexibilizar. Da mesma forma, sei que o problema – na maioria dos casos – está na formação dos condutores. Mas, insisto, acredito que se todo mundo respeitasse as regras básicas, a convivência no trânsito (e até fora dele) melhoraria muito!