Avaliação: Toyota Corolla Cross XRX Hybrid

SUV do Corolla agrada pelo conforto e comportamento na estrada

Toyota Corolla Cross - Caderno Garagem

O raciocínio parecia pertinente: se o Toyota Corolla sedã é um sucesso no mercado brasileiro – 30.500 unidades vendidas de janeiro a setembro –, não dando a menor chance para os concorrentes, o que não dizer então do Corolla versão SUV, categoria de automóveis que não para de crescer no país.

A montadora japonesa ensaiou por muito tempo o lançamento do modelo por aqui, até que, enfim, apresentou o Corolla Cross em março, com direito à motorização híbrida 1.8 flex, além da 2.0 flex. Avaliamos o Toyota Corolla Cross XRX Hybrid, topo de linha durante, aproximadamente, 500 km mesclando rodovias, ruas e um pouco de pista de terra.

O veredicto: se você tem R$ 193.390 para gastar em um automóvel e quer um utilitário esportivo, vá à concessionária conhecê-lo de perto. Se gosta do Corolla, certamente aprovará também seu irmão SUV.

“Ah, mas pagar quase R$ 200.000 em um carro 0 km é demais”, você pode argumentar. Verdade. Imagine, então, abastecer o tanque de 36 litros… Até que o reservatório não é tão grande, mas com os preços do combustível na estratosfera, o bolso sente o drama. Economia brasileira à parte, o Corolla Cross é um grande barato. O carro é bonito, gostoso de dirigir e valente.

O pensamento da Toyota ao colocar o Corolla Cross no tabuleiro dos SUVs não estava equivocado. O carro vendeu, até setembro, 23.000 unidades e está em nono lugar no ranking do segmento. O problema é que ele chegou bem depois de rivais como Jeep Compass e Renegade e Hyundai Creta. Terá de remar mais um pouco até subir algumas posições no ranking.   

Aliado ao câmbio CVT, o motor 1.8 flex entrega 101 cv de potência e 14,5 kgfm de torque, ao passo que o propulsor elétrico gera 72 cv e 16,6 kgfm. O modelo não é plug-in, ou seja, não dá para recarregar a bateria na tomada. Sua regeneração acontece quando o motorista tira o pé do acelerador ou pisa no freio. Se quiser ter a experiência de dirigir apenas no modo elétrico, é só selecionar a opção no console central.

Segundo a Toyota, o Corolla Cross percorre 11,8 km na cidade e 9,6 km/l na estrada com etanol e, respectivamente, 17 km/l e 13,9 km/l com gasolina no tanque. A nossa média, em circuito predominantemente de estrada, chegou a 13,4 km/l com gasolina. A marca afirma que a velocidade máxima alcança 170 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h é completada em 13 segundos.

Espaço traseiro é a ressalva

O conforto para motorista e passageiro é total, mas se deslizarem seus bancos muito para trás, os ocupantes traseiros ficarão um pouco espremidos. Quem senta no meio tem de dividir espaço com o túnel central. O Corolla Cross é feito sobre a mesma plataforma do irmão sedã (GA-C), o que não significa ter as mesmas dimensões.

Ele mede 4,46 metros e comprimento, contra 4,63 m do Corolla. A largura (1,82 m x 1,78 m) e a altura (1,62 m x 1,45 m) são maiores, mas o pulo do gato está na distância entre-eixos e nisso o três-volumes se sai melhor, com 2,70 m. O SUV tem 2,64 m e esses meros seis centímetros, acredite, fazem diferença. O porta-malas acomoda 440 litros de bagagem. Dá para levar muita coisa em uma viagem de quatro pessoas, como foi a nossa experiência.

O espaço traseiro é a maior ressalva para o SUV produzido em Sorocaba (SP). Já o design merece elogios. Na dianteira, a grade tem forma de trapézio e o acabamento da logomarca é azul na versão híbrida. Além de passar robustez, o para-choque acomoda faróis de neblina com iluminação de LED.

Visto de perfil, o carro tem maçanetas na cor da carroceria e rodas de liga-leve de 18 polegadas com acabamento cinza escuro e diamantado. O acabamento de plástico preto segue todo o contorno do carro até a traseira e envolve as rodas. As lanternas horizontais fazem a “curva” e se estendem para a lateral.

Por dentro, a versão XRX Hybrid possui partes revestidas de couro e material sintético bege. O volante multifunção agrupa os controles de áudio e computador de bordo e o painel de instrumentos exibe as informações na tela de TFT digital colorida de sete polegadas. Um semicírculo do lado esquerdo mostra os dados do sistema híbrido. O console central tem espessura mais grossa e se sustenta por duas hastes nas extremidades, com acabamento prata.

O Corolla Cross é mais do que um Corolla com roupa de utilitário esportivo. Ele tem personalidade própria e quer provar que pode escrever sua própria história sem depender do irmão famoso. Os números de vendas dos primeiros meses de presença no mercado demonstram seu potencial. No entanto, nada como estar ao volante para notar que ele já nasceu bastante competitivo.