A guerra contra a violência do trânsito

Semana Nacional do Trânsito começa dia 18 com campanhas educativas contra os altos índices de acidentes nas ruas e estradas brasileiras

 

As estatísticas assustam. O Brasil é o quarto país com o maior número de mortes em acidentes de trânsito, ficando atrás apenas de China, Índia e Nigéria, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados do Observatório Nacional de Segurança Viária também são estarrecedores: uma pessoa morre a cada 15 minutos por causa de colisões e atropelamentos em ruas e estradas do país.

Tudo isso, é claro, acaba impactando diretamente na questão econômica: o Brasil gasta R$ 50 bilhões por ano em saúde, indenizações e previdência, de acordo com o Conselho Federal de Medicina. As tragédias ocorridas no dia a dia no trânsito brasileiro compõem uma guerra longe de ser vencida e as campanhas de conscientização são as melhores armas disponíveis para combater tanta irresponsabilidade, imprudência e descuido de motoristas e pedestres.

Realizada anualmente de 18 e 25 de setembro desde a implantação do novo Código Nacional de Trânsito, em 1997, a Semana Nacional do Trânsito repetirá o tema do movimento Maio Amarelo deste ano: “Perceba o Risco, Proteja a Vida”.

Nesse período, secretarias municipais, órgãos públicos e autarquias promoverão uma série de ações educativas com o intuito de incentivar o comportamento mais seguro e responsável no trânsito. Além disso, a Semana pretende mostrar à população o papel que cada um exerce no trânsito em prol da segurança do coletivo.

Durante a Semana Nacional de Trânsito, o Observatório Nacional de Segurança Viária fará um ciclo de palestras para empresas e instituições. Transmitidas pelas redes sociais, as palestras abordarão temas como “O Novo Normal no Trânsito”, “Responsabilidade Social na Segurança Viária”,“Frota Segura e Sustentável” e “Dicas de Segurança no Trânsito”.

Ação pela segurança no trânsito
A Semana Nacional de Transito vem ao encontro da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que definiu os anos de 2021 a 2030 como a segunda década de ação pela segurança no trânsito. O plano é ambicioso: reduzir 50% de lesões e mortes no trânsito no mundo inteiro.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Antônio Meira Júnior, a implantação da segunda década é fundamental para que outros eventos sejam feitos para preservar mais vidas. “É preciso desacelerar o número de acidentes no Brasil. Ainda há um longo caminho a percorrer”, afirma.
Meira explica que, além do fortalecimento da legislação de trânsito, na última década houve ampla divulgação do tema “saúde e segurança no trânsito” entre a população. “Anualmente, promovemos a campanha do Maio Amarelo para chamar atenção da sociedade com relação ao alto índice de mortes e feridos. Já em setembro dedicamos uma semana inteira para disseminar a relevância da educação no trânsito”, acentua.

A Abramet vê com muita preocupação o crescente número de acidentes envolvendo ciclistas e motociclistas, dois grupos considerados vulneráveis nas estradas. “A grande maioria das mortes e ferimentos graves no trânsito poderia ser evitada. Trata-se do maior problema mundial de saúde pública e desenvolvimento, com amplas consequências sociais e econômicas”, destaca.

A primeira década de ação pela segurança no trânsito (2011-2020) foi lançada em maio de 2011, quando governos de todo o mundo se comprometeram a adotar medidas para prevenir os acidentes no trânsito que, na época, matavam 1,25 milhão de pessoas por ano.

No Brasil, o Projeto Vida no Trânsito (PVT) foi criado em 2010 para atender as exigências estabelecidas pela ONU, como o combate de dois fatores de risco presentes no trânsito: a direção após o consumo de bebidas alcoólicas e o excesso de velocidade.

O PVT também pretende diminuir em 50% a incidência de óbitos por acidentes de trânsito até 2020. Dados do mais recente levantamento publicado pelo Ministério da Saúde indicam que cinco capitais já alcançaram a meta global de redução de 50% dos óbitos por lesões no trânsito. O número é alentador, mas, como numa luta de boxe, jamais se deve baixar a guarda. É por isso que campanhas educativas são sempre bem-vindas – e imprescindíveis.