Renault Duster melhora sem abandonar a discrição

Depois de quase uma década, SUV que ousou peitar Ecosport ganha aprimoramentos, mas não consegue alcançar os líderes de vendas

O Renault Duster está longe de ser o SUV mais vendido do Brasil, mas é inegável que ele tem um mérito e tanto. Ao ser lançado em 2011, foi o primeiro utilitário esportivo compacto que chegou para peitar a soberania do então líder Ford Ecosport. A partir dali, o Ecosport não teve mais sossego e se deparou com uma enxurrada de novos concorrentes. O Duster jogou a bomba e saiu de fininho, para escrever a sua própria história sem grandes alardes.

Em fevereiro, pouco antes da explosão da pandemia do coronavírus, a Renault apresentou o Duster 2021 com muitas modificações e não apenas uma leve mexida no visual. No mercado brasileiro, ele é vendido nas versões Zen, Intense e Iconic, a avaliada por GARAGEM e que custa R$ 101.390.

O Duster de fato melhorou. O capô mais elevado passa a impressão de maior robustez e agora os faróis ganharam iluminação de LED. Segundo a marca, a redução do ângulo do para-brisa deixou o modelo mais aerodinâmico. Mas os faróis auxiliares instalados na barra frontal – onde também está a placa – não possuem uma capa protetora, parecendo bem vulneráveis ao menor contato com outro carro ou obstáculos.

A traseira está mais limpa e elegante, com alterações na tampa do porta-malas e na régua que leva o nome do modelo. O novo desenho das lanternas é bonito, mas não há como esconder que elas têm um “que” de Jeep Renegade. Coincidência ou plágio? O volume do porta-malas de 475 litros não aumentou em relação à geração anterior. Para um SUV de seu porte está de bom tamanho.

Por dentro do Renault Duster Iconic, as principais novidades são o painel de instrumentos mais funcional, o console central redesenhado, os bancos com novos revestimentos e espumas mais reforçadas e a central multimídia Easy Link com tela de oito polegadas bastante intuitiva. Ela é compatível com os sistemas Android Auto e Apple Carplay e o layout permite personalização de até cinco pessoas, com o visor se ajustando com as preferências do usuário.

Entre as funções disponíveis, o passageiro pode definir o layout da tela, salvar as configurações preferidas de som, memorizar até nove estações de rádio, habilitar ou desabilitar o destravamento de portas sem a chave e personalizar o som das teclas.

Pela central multimídia também é possível visualizar imagens das câmeras do sistema Multiview, que permite monitorar os quatro lados do veículo para auxiliar em situações off-road. Não que o Duster tenha nascido para as trilhas radicais, mas se sai bem nessa situação, graças aos ângulos de entrada (30°) e saída (34°5’) e à maior altura do solo (23,7 cm).

Mais itens de segurança

Para auxiliar o motorista a gastar menos combustível, a central oferece os sistemas Eco Scoring e Eco Monitoring, que exibem todas as informações de consumo e se o condutor está dirigindo de forma mais ou menos econômica. De acordo com a fabricante, o Duster Iconic roda 7,9 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada com gasolina no tanque. Com etanol, a perda não é significativa: respectivamente 7,1 km/l e 10,3 km/l.

O Duster 2021 também ganhou equipamentos para aumentar a segurança, como alerta de ponto cego (que acende uma luz nos retrovisores externos quando um veículo se encontra na zona cega do motorista), sensor de estacionamento, controle eletrônico de estabilidade (que ajuda o motorista a manter o controle em mudanças bruscas de trajetória ou perda de aderência em curvas), frenagem de emergência e assistente de partida em rampa.



O motor 1.6 flex rende 120 cv de potência e torque de 16,2 kgfm e atua associado ao câmbio CVT X-Tronic, com trocas rápidas e que podem ser feitas nas borboletas presas ao volante. Nas retomadas de velocidade, porém, o conjunto não se mostra tão ágil, exigindo mais atenção do motorista no momento de uma ultrapassagem, por exemplo.

A morosidade é ainda mais perceptível se o carro estiver mais pesado, com cinco ocupantes e bagagem. O desempenho frustra um pouco, mas o mesmo não acontece com o espaço interno, que proporciona conforto graças às dimensões de 4,33 metros de comprimento, 1,82 m de largura, 1,68 m de largura e 2,67 m de distância entre-eixos.

Todas as mudanças aprimoraram o Duster, mas não serviram para alçá-lo a posições melhores no ranking de vendas. Hoje, ocupa a nona posição entre os SUVs. Se um dia ele ousou afrontar o Ecosport, hoje paga na mesma moeda, ao ser ultrapassado por rivais como Jeep Renegade, Hyundai Creta e Nissan Kicks. É um SUV com quase uma década de trajetória vivida na mais pura discrição.