Primeiro dia da Stellantis é marcado por anúncio de planos ousados

Carlos Tavares, CEO da nova empresa, garante que não haverá fechamento de fábricas

“A Stellantis aspira se tornar a melhor, não a maior”. Esse pequeno trecho da missão da Stellantis já dá o tom do grau de ousadia e agressividade da nova empresa, nascida da fusão dos grupos PSA (Peugeot-Citroën) e FCA (Fiat-Chrysler).

Hoje (19) foi considerado o primeiro dia oficial da história da Stellantis, embora o contrato que selou o acordo tenha acontecido em dezembro, depois da produção de 12.500 páginas de documentos enviados para autoridades e executivos de governos e companhias envolvidas.

A Stellantis será comandada pelo chairman John Elkann e pelo CEO Carlos Tavares. Aliás, Tavares é um dos principais popstars do mundo automotivo atual, depois da morte, em 2018, de Sergio Marchionne, ex-chefão do Grupo Fiat, e da retirada de cena de Carlos Ghosn, ex-manda-chuva da Aliança Nissan-Renault, exonerado do cargo após ser preso e acusado de práticas ilícitas à frente da empresa.

Nascido em Lisboa (Portugal) há 62 anos, Carlos Tavares tem um perfil de confronto, de duro na queda. Vai na direção dos problemas de peito aberto para tentar resolvê-los. “A fusão entre FCA e PSA não é uma ação defensiva”, define. “A Stellantis vai superar todos os desafios impostos pela indústria com uma nova mentalidade. Vamos primar pela excelência e não pelo tamanho.”

Em seu primeiro pronunciamento público como executivo da Stellantis, ele lembrou que períodos delicados são comuns nas montadoras. “A Fiat passou por um momento crítico em 2004 e a PSA enfrentou situação parecida em 2013. As crises acontecem e devemos estar preparados para enfrentá-las”, afirma.

Guarda-chuva de um portfólio com 15 marcas importantes, a Stellantis anunciou que será impossível destinar investimentos para todas. “Haverá prioridades”, decreta Tavares. “Mas asseguro que teremos produtos bons, competitivos e inseridos na nova ordem da mobilidade mundial.” Sem contarmos ainda com os números consolidados de todos os fabricantes, projeta-se que a Stellantis ocupará a quarta colocação entre os maiores fabricantes do mundo, atrás apenas do Volkswagen Group, Toyota e Renault-Nissan.

Tavares admite que a Ford acendeu uma luz de alerta na América do Sul, ao encerrar a produção de automóveis no Brasil. “De toda forma, nossa situação é diferente. Investiremos em produtos e a fusão tem o compromisso de não fechar fábricas”, garante. E dá o recado: “Em contrapartida, precisamos saber sempre dos governos locais se eles realmente querem contar com montadoras na região e se, para isso, vão criar um ambiente favorável aos negócios”.

Com 400.000 funcionários, a meta da Stallantis é competir nos mercados globais com 39 modelos eletrificados até o fim do ano. Atualmente, ela tem 29. Além disso, oferecerá ao consumidor desde carros de luxo até picapes pesadas, SUVs e veículos comerciais leves. Este grande portfólio oferecerá, entre outras, marcas como Alfa-Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, DS Automobiles, Fiat, Jeep, Lancia, Abarth, Maserati, Opel, Peugeot, Ram, isso sem contar com marcas dedicadas apenas à produção de sistemas de automação construtiva, como a italiana Comau, ou a Free2Move, de compartilhamento de veículos.

A Stellantis tem presença bem estruturada na Europa, América do Norte e América Latina e tentará avançar fortemente, a partir de agora, em mercados promissores como China, África, Oriente Médio, Oceania e Índia.

Outro objetivo é aumentar a economia de escala, a fim de viabilizar investimentos em soluções de mobilidade, com sinergias anuais de 5 bilhões de euros. Isso acontecerá por meio de estratégias inteligentes de compras, otimização no uso de plataformas e powertrain e foco contínuo em eficiência de fabricação e processos.

Ao finalizar o primeiro dia da Stellantis, John Elkann, acrescentou: “Nossa escala global e alcance nos fornecem os recursos para investirmos em tecnologias de ponta, excelência diferenciada e escolha incomparável para nossos clientes”.