Hispano Suiza: o renascimento de uma lenda, agora elétrica

Fundada há 118 anos, marca espanhola ressurgiu com hipercarros de luxo

Hispano Suiza - Caderno Garagem

Entre as marcas que compõem o universo dos automóveis existem nomes conhecidos em todo o mundo, como Mercedes-Benz, Ford, Chevrolet ou Volkswagen, assim como outros igualmente populares, mas que nem existem mais, como Pontiac, Saab e Simca. Mas também existem empresas que, embora sigam em atividade, são quase desconhecidas do grande público, como é o caso da Hispano Suiza, cuja história contamos a seguir.

Como o nome indica, a empresa deve seu nome ao fato de ter sido criada pelos espanhóis Damián Mateu e Francsico Seix, em sociedade com o engenheiro suíço Marc Birkigt, em 1904. Desde o início, a montadora destacou-se pela excelência de seus veículos, que se tornaram um dos preferidos da elite europeia, conquistando clientes como os monarcas Alfonso XIII da Espanha, Gustavo V da Suécia, Carlos II da Romênia e Louis II de Mônaco, além de celebridades, com destaque para Pablo Picasso, André Citroën, Coco Chanel e René Lacoste, por exemplo. 

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1938 Hispano Suiza Dubonnet Xenia

Além dos automóveis, a Hispano Suiza se notabilizou pela produção de motores aeronáuticos, e esse fato foi decisivo para tornar a cegonha no símbolo da empresa. Trata-se de uma homenagem ao piloto de caça francês Georges Guynemer, que utilizava uma cegonha pintada na fuselagem de seu avião – que possuía motor Hispano Suiza – como mascote durante a Primeira Guerra Mundial. A escultura da cegonha prateada adornou o modelo H6B em sua estreia no Salão de Genebra em 1919, e desde então, todos os veículos da marca passaram a exibir o adereço, em conjunto com as bandeiras da Espanha e da Suíça. Após a Segunda Guerra Mundial, contudo, a Hispano Suiza passou a concentrar suas atividades no setor aeroespacial.

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O novo voo da cegonha

Somente décadas mais tarde, em 2019, a empresa decidiu retornar ao mundo dos automóveis, e para isso, tratou de desenvolver um modelo que fizesse justiça à história da marca. Assim, no Salão de Genebra daquele ano foi apresentado o Hispano Suiza Carmen, um hipercarro de luxo, impulsionado por um conjunto motriz elétrico capaz de entregar incríveis 1.019 cv montado em uma estrutura leve e resistente de plástico reforçado com fibra de carbono, com 1.690 kg.

O nome da máquina homenageia Carmen Mateu, mãe do atual presidente da companhia, Miguel Suqué Mateu, bisneto do fundador Damián Mateu. Segundo a montadora, o Carmen é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos e pode alcançar 250 km/h de velocidade máxima (limitada eletronicamente). A autonomia anunciada pela empresa é superior a 400 km.

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A tradicional cegonha

O design extravagante foi inspirado no modelo H6C Dubonnet Xenia, de 1936, que teve somente um exemplar construído. A Hispano Suiza afirma que o coeficiente aerodinâmico do Carmen é de apenas 0,325, inferior, portanto ao de modelos como Porsche 918 Spyder (0,34), Koenigsegg Agera (0,37) e até Ferrari F12 (0,33).

Tradição mantida

Se impressiona pelo design externo, o Hispano Suiza Camen repete a dose na parte interna, com muito luxo e requinte. Para se ter ideia, os folheados de madeira utilizados no acabamento são reais e o relógio no centro do painel possui mecanismo suíço, de acordo com a fabricante.

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Menos de um ano depois do Carmen, a Hispano Suiza surpreendeu com a apresentação do Carmen Boulogne, uma versão ainda mais esportiva, dotada de um conjunto motriz capaz de entregar nada menos do que 1.114 cv, com os quais pode arrancar de 0 a 100 km/h em 2,6 segundos e atingir 290 km/h de velocidade máxima. Seguindo a receita de produção totalmente artesanal, as primeiras unidades do modelo foram entregues neste ano e custaram 1,65 milhão de euros.

A Hispano Suiza é uma empresa familiar há quatro gerações e acredita-se que seja única a manter uma linhagem familiar ininterrupta na reintrodução de uma marca automotiva fundada na primeira grande era do automóvel. A empresa orgulha-se de suas raízes espanholas e mantém sua sede, centro técnico e instalações fabris em Barcelona. Além disso, mais de três quartos dos componentes usados na produção do Carmen são adquiridos no país.  

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