A agressividade da Caoa Chery na publicidade

Ousadia ou falta de ética? Montadora cita os concorrentes ao falar das qualidades do SUV Tiggo

Caoa Chery - Caderno Garagem

A Caoa sempre foi agressiva na publicidade. Hoje, é uma das maiores anunciantes dos veículos de comunicação e um de seus espaços cativos são os 10 preciosos segundos imediatamente antes do início do capítulo da novela das nove da Globo.

A Caoa é mão pesada nas mensagens. Uma peça que me chamou atenção foi estampada no jornal O Estado de S. Paulo, domingo passado. Não sei se outras publicações impressas também receberam a mesma campanha, mas a Caoa Chery, sabendo que a edição do centenário jornal venderia bastante por conta da sua propagada mudança de formato, tascou um anúncio do Tiggo, brincando com o nome do carro:

“Antiggo significa um SUV lançado antes dos SUVs Tiggo”. Abaixo da frase, uma série de exemplos, como Honda CRV, Toyota RAV 4 e Jeep Renegade. Tinha, até mesmo, Hyundai Creta, marca representada no Brasil pela… Caoa.

Uma empresa falando de seus produtos mencionando a concorrência não é fato novo. Um dos melhores anúncios que vi nos jornais remonta aos anos 1970, quando a Coca-Cola mexeu um pouco na sua ultra-secreta fórmula.

A Pepsi não perdeu tempo e providenciou uma ilustração de página inteira, de uma garrafa de seu refrigerante em frente a uma da Coca, como se estivessem preparadas para um duelo. A mensagem dizia: “Depois de 100 anos de olho no olho, a concorrente piscou”.

Criatividade à parte, a questão é que nos, últimos anos, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), órgão que busca preservar a ética no universo publicitário, vem fechando o cerco das empresas que citam os nomes das rivais na hora de enaltecer sua superioridade.

O princípio é “para falar bem de si mesmo, não precisa falar mal dos outros”. Se as demais montadoras se sentirem atingidas e prejudicadas, elas podem acionar o Conar pedindo a interrupção da campanha da Caoa Chery. Não sei se foi um anúncio pontual e isolado na edição dominical ou se a empresa pretende seguir com ele. Caso a estilingada tenha se restringido a uma só pedra, então o estrago já foi feito.

As marcas podem pedir providências do Conar, porém, cá entre nós, não acredito que resulte em alguma reação enérgica. É difícil imaginar que, ao menos no curto prazo, o Tiggo venderá mais que o Volkswagen T-Cross. A Caoa Chery está longe de ser campeã de vendas, no entanto, ele incomoda – e muito – com a ousadia que, às vezes, resvala na falta de ética aos olhos do mercado publicitário.