Acidentes graves com ciclistas aumentam 30% nos primeiros cinco meses do ano

Dados divulgados pela Abramet comprovam a relação delicada entre motoristas e usuários de bicicletas

Ciclista - Caderno Garagem

Ontem (19) foi o Dia Nacional do Ciclista, mas não houve motivos para celebrações. Segundo análise da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), nos primeiros cinco meses do ano, houve aumento de 30% de acidentes que exigiram atendimento médico envolvendo ciclistas, em relação ao mesmo período de 2020.

A bicicleta é, muitas vezes, apontada como o veículo do futuro, mas a convivência com os automóveis ainda não é das mais amistosas. “Os dados demonstram a importância de redobrar a atenção e promover iniciativas focadas nesse público”, afirma Antonio Meira Júnior, presidente da Abramet. “O uso da bicicleta cresceu no Brasil e exige uma abordagem de prevenção ao sinistro. A Abramet discutirá esse tema em nosso congresso em setembro.”

Ele se refere ao 14º Congresso Brasileiro de Medicina do Tráfego, de 16 a 18 de setembro, que tratará, entre outros assuntos, dos efeitos da pandemia na mobilidade.

Em janeiro de 2019, foram registrados 1.100 acidentes graves com ciclistas, contra 1.451 em janeiro de 2021, mês com o maior número de sinistros no período estudado. Os dados revelam oscilação nas ocorrências, que mantiveram média de 1.185 casos mensais nos últimos dois anos. A Abramet levou em conta informações do Datasus, departamento de informática do Ministério da Saúde.

O estudo faz um mapeamento por região, estado e município. Chama atenção a escalada no registro de sinistros em Goiás: em 2021, houve aumento de 240% em relação a 2020, com 406 casos a mais.

Também merecem destaque os Estados em que a incidência de sinistros graves aumentou 100% ou mais, como Rondônia (113%) e Sergipe (100%). Nas capitais, o estudo identifica panorama preocupante em Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza.

O perfil dos ciclistas é o seguinte: cerca de 80% eram homens e 60% dos casos tinha faixa etária entre 20 e 59 anos. Segundo Flavio Adura, diretor científico da Abramet, a entidade aproveitará sua expertise para propor ações e procedimentos que aprimorem o atendimento de sinistros com ciclistas.

“Os acidentes com pedestres e motociclistas, que são maioria, negligenciaram os ciclistas enquanto objeto de políticas de prevenção. Eles percorrem ruas e estradas, disputando espaço com veículos pesados e, muitas vezes, sequer são percebidos. Comparado a alguém que se desloca em um automóvel, o ciclista tem probabilidade de óbito oito vezes maior”, ressalta Adura.

Em 2019, a Abramet já havia se mobilizado para conhecer melhor o tema e publicou estudo avaliando a incidência de atropelamentos envolvendo ciclistas.

“Nossa tarefa é produzir o conhecimento necessário para deixar o trânsito brasileiro mais saudável e seguro, olhando para todos os usuários do sistema”, avalia Carlos Eid, coordenador do Departamento de Atendimento Pré-Hospitalar da Abramet. “O ciclista está cada vez mais presente nas ruas do Brasil e isso exige abordagem médica específica”.