Avaliação: Jeep Renegade S

SUV desperta com novo motor flex 1.3, mas versão S é cara demais

Jeep Renegade - Caderno Garagem

Renegade bom é o com motor diesel. Os outros são chochos”. Esse era um comentário comum quando se falava do Jeep Renegade, SUV que sempre fez muito sucesso no mercado brasileiro desde o seu lançamento, em 2015.

Mas ele era acusado de ter motor flex fraco, que não apresentava desempenho satisfatório e, ainda por cima, bebia muito. Bom mesmo era o diesel. Mesmo assim, a Jeep arriscou a reputação do carro ao lançar o Renegade 2022 apenas com motorização 1.3 flex, tirando de cena as versões diesel.

O tiro foi certeiro. Equipado apenas com motor T270 1.3 turbo flex de 185 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, o mesmo de Compass e Commander, o SUV compacto ficou mais arisco, deixou para trás aquela leseira de antes e fez o consumidor esquecer o propulsor diesel.

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Em fevereiro, mês do lançamento da novidade, foram emplacadas 2.316 unidades. No mês seguinte, com o carros nas concessionárias, as vendas saltaram para 3.789, segundo ranking da Fenabrave, a associação que reúne as concessionárias.

GARAGEM avaliou a versão Série S do novo Renegade que, com teto solar elétrico panorâmico, custa R$ 177.823. A cifra é alta, ainda mais sabendo que o irmão maior Compass parte da faixa de R$ 166.000.

Com etanol no tanque, o Renegade S registrou a média de 7,4 km/l ao longo de 400 km em percursos que misturaram cidade e estrada – e uma boa dose de anda-e-para na rodovia por causa do feriado prolongado de Páscoa.

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O sistema start-stop entrou em ação sempre que o carro parava, mas, sinceramente, tenho dúvidas se esse liga-desliga automático constante mais ajudou ou atrapalhou na economia. Uma coisa é ele atuar quando o veículo encontra um semáforo vermelho pela frente. Outra, é ser ativado a cada 200 metros de um congestionamento pesado.

De toda forma, 7,4 km/l foi uma boa média, levando-se em conta os valores anunciados pela Jeep. Abastecido com etanol, o SUV roda 6,3 km/l na cidade e 7,6 km/l na estrada. Com gasolina, os números sobem para 9,1 km/l e 10,8 km/l, respectivamente.

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Fabricado na Polo Industrial de Goiana (PE) da Stellantis, o novo Renegade tem design marcante, que guarda certa semelhança com os velhos jipes dos anos 1950 e1960. Ou seja, tem aspecto robusto, ainda mais agora que recebeu um motor mais adequado para seu porte. Ele trabalha em sincronia com a transmissão automática de nove marchas (as versões 4×2 têm câmbio de seis marchas).

A tração 4×4 foi acionada em alguns momentos do passeio e aumentou a valentia do Renegade na hora de vencer as pirambeiras de terra. Dos quatro modos de condução disponíveis  – automático, esportivo, neve e areia/lama (pedra é exclusivo para a topo de linha Trailhawk), só não precisei acionar o de neve. Nos demais, o Renegade se adaptou perfeitamente ao tipo de piso enfrentado, aumentando a segurança e o conforto ao dirigir.

O novo motor 1.3 é a maior novidade do Renegade 2022, mas houve outras pequenas mudanças. Os faróis circulares agora têm iluminação de Full LED, o para-choque frontal está mais vigoroso e as rodas são de liga-leve de 17 a 19 polegadas. Por dentro, o volante foi redesenhado e o motorista ganhou um novo apoio de braço central.

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A tecnologia está presente não apenas na versão S, mas também nas demais. O pacote inclui frenagem autônoma de emergência, assistente de manutenção de faixa, detector de fadiga, monitor de ponto cego, alerta de tráfego traseiro e sistema de estacionamento automático Park Assist.

Os principais parâmetros do carro são expostos no quadro de instrumentos de sete polegadas customizável, de acordo com as preferências do motorista. Além disso, a central multimídia com tela de 8,4 polegadas é compatível com sistemas Android Auto e Apple CarPlay.

As mudanças – especialmente a do motor – fizeram o Renegade ganhar pontos. Sai a sonolência do antigo motor flex para a chegada da esperteza do novo 1.3. Pena que a versão S seja tão cara.