Leaf é o início da estratégia de veículos elétricos da Nissan

Modelo chega ao Brasil custando R$ 195.000

 

A Nissan deu um passo importante em seu programa batizado de Nissan Intelligent Mobility, uma visão do futuro da mobilidade para uma vida melhor no trânsito. A marca acaba de lançar no Brasil a segunda geração do Leaf, carro 100% elétrico e apresentado simultaneamente na Argentina, Chile e Colômbia.

Exibido no Salão do Automóvel de São Paulo do ano passado, o Leaf passou por um período de pré-venda e vinte compradores pagaram R$ 178.400 por ele. Agora, porém, o carro será comercializado por enquanto em sete concessionárias por R$ 195.000, valor que assusta um pouco. “Tivemos de lidar com a flutuação do dólar”, justifica Marco Silva, presidente da Nissan do Brasil.

Silva revela que o barateamento da manutenção é um forte apelo do Leaf e dá um exemplo sobre consumo. “Se uma pessoa rodar 70 km por dia com o Leaf, ao final de um ano terá economizado R$ 10.000 de combustível na comparação com um automóvel similar”, afirma.

Quando o paralelo é feito com automóveis da própria Nissan, o Leaf também leva vantagem. Segundo a marca, o preço do quilômetro rodado do veículo elétrico é de 10 centavos. O do March 1.0 é de 30 centavos e o do SUV Kicks 1.6 é de 35 centavos.

O executivo destaca que o motor é composto por apenas 50 componentes, minimizando o desgaste e, consequentemente, os custos para deixá-lo em ordem. Segundo cálculos da fabricante, na ponta do lápis o Leaf gasta 30% menos do que a manutenção de um sedã de grande porte, custos que se restringem basicamente à troca de pneus e pastilhas de freio..  

Nesse primeiro momento, a Nissan está trazendo para o Brasil lotes de 40 unidades do Leaf e estima vender 200 carros neste ano. “Até 2022, a Nissan lançará 20 modelos autônomos ou elétricos no mundo e um deles, híbrido, poderá ser feito no Brasil”, adianta Marco Silva.

O objetivo da Nissan é vender 1 milhão de veículos elétricos por ano a partir de 2022 e o Leaf é o ícone dessa estratégia. Fabricado em Sunderland (Inglaterra), ele foi lançado em 2010 e 400.000 unidades já circulam em 50 mercados. E a Nissan quer difundi-lo ainda mais nos próximos anos. “Em 2030, 55% de todos os carros vendidos no mundo serão elétricos, incluindo os híbridos”, diz Humberto Gómez, diretor de marketing da Nissan.

Com autonomia de 240 km, o motor do Leaf gera 149 cv de potência, 37% maior que a primeira geração do modelo. Os 24 módulos que compõem a bateria de 40 KWh de íon lítio – desenvolvida pela própria Nissan — correspondem a 300 kg do peso total do carro. A Nissan admite que o custo da bateria é o principal limitador do preço do carro, mas a tendência é que o valor caia, como acontece com todas as tecnologias.

A bateria do Leaf é recarregada de três formas. A primeira – e mais demorada — é por meio de um cabo convencional, que pode ser espetado numa tomada de 110 ou 220 volts. A operação dura de 20 a 40 horas. A segunda é pelo Wall Box, estrutura fornecida pela Nissan e instalada por um técnico na residência do comprador. Ele está incluído no preço do carro e precisa de seis a oito horas para realimentá-lo.

A terceira, que leva apenas uma hora, é por carregadores rápidos de postos públicos, mas que ainda são bem poucos no país. As pesquisas da Nissan mostram que 95% do uso do Leaf é urbano e seu recarregamento é feito em casa.

A tecnologia que mais chama atenção no Leaf é o e-pedal. Trata-se do pedal do acelerador que, uma vez desacionado, freia o carro. O sistema é divertido, mas é preciso se acostumar com ele para balancear corretamente o movimento do carro. Se o motorista vê adiante o semáforo vermelho, basta tirar o pé do pedal aos poucos para o Leaf ir estancando. Essa operação também regenera a energia da bateria.

Se deixar de pressionar o pedal de uma só vez, o carro pode parar abruptamente. O recurso não dispensa, é claro, o pedal de freio para casos de emergência. Além disso, quem preferir uma condução convencional pode desligar a função do e-pedal no console central.

Outros importantes recursos equipam o Leaf de segunda geração, como piloto automático inteligente, assistente inteligente de frenagem, alerta de ponto cego, faróis de LED, visão 360 graus e central multimídia com espelhamento para Android Auto e Apple Car Play. Para poupar ainda mais a bateria, o motorista pode optar pelo modo de condução Eco, que economiza 6% da carga. Já o moto B deixa o carro mais “preso” e é indicado para descidas de serra, por exemplo.

O painel de instrumentos mostra o status da bateria. Com 9% da capacidade aparece o alerta de carga fraca. O ícone de uma tartaruga se acende com 4%, sinal de que o motorista deve parar imediatamente para providenciar a recarga se não quiser ficar na rua sem energia.