BMW usa realidade aumentada no desenvolvimento de novos veículos

Tecnologia digital permite acelerar em até um ano os prazos para validação dos novos veículos, proporcionando economia e agilidade para a montadora, além de ensaios com resultados mais confiáveis

Os óculos de realidade aumentada permitem interagir com imagens 3D

 

Você já deve ter experimentado – ou ao menos ouviu falar – a realidade aumentada, que ganhou popularidade com o jogo eletrônico “Pokemon Go” e fez milhares de pessoas saírem às ruas em busca dos personagens virtuais. Esse recurso permite não só visualizar imagens em 3D no ambiente real, como até interagir com essas figuras.

Pois o grupo BMW já incorporou a realidade aumentada no desenvolvimento de novos protótipos e de conceitos e, de acordo com a montadora, esse recurso permite acelerar o processo de criação em até um ano. Com os óculos de realidade aumentada, é possível sobrepor modelos 3D holográficos em componentes reais – um veículo, por exemplo. Esse recurso permite que diversos conceitos e processos de montagem de novos automóveis possam ser analisados e avaliados com muito mais rapidez e economia, já que dispensa a construção de protótipos físicos.

“Os óculos de realidade aumentada e as imagens assistidas por computação (CAD) nos permitem descobrir muito mais rapidamente se o colaborador na linha de produção será capaz de ajustar a peça ou componente adequadamente, quando chegar o momento da produção em série; desse modo, precisamos realizar muito menos testes”, explica Michael Schneider, chefe de veículos completos na fábrica-piloto do grupo. Christoph Leibetseder, chefe de digitalização, protótipos e novas tecnologias, acrescenta: “Outra vantagem é que essa ferramenta economiza tempo e recursos quando integramos novos veículos à produção”.

Como funciona

Vamos tomar como exemplo a montagem de um novo veículo na linha de produção. O automóvel e os seus componentes são visualizados em uma plataforma vinculada ao sistema de gerenciamento de dados de produtos do grupo BMW, e assim que for necessário, os arquivos CAD das peças e demais itens que serão transferidos do banco de dados para os óculos de realidade aumentada, para que os técnicos possam utilizá-los em um ambiente realista, analisando todos os aspectos (funcionalidade, ergonomia, praticidade etc.) com muito mais rapidez, economia e segurança.

O sistema também permite “cortar” as imagens, proporcionando visualizar as seções transversais dos componentes e a análise da estrutura da peça ou do veículo. Outra vantagem importante é o trabalho colaborativo: profissionais em locais diferentes – bairros, cidades ou até países – podem participar da análise ao mesmo tempo, proporcionando economia de custos de transporte e evitando problemas de logística (diferença de horários, encaixe de agendas etc.). Esse é um diferencial e tanto, ainda mais em tempos de pandemia.

Como parte desse projeto, o grupo BMW está trabalhando com uma startup sediada em Munique e com uma organização de pesquisas. O desenvolvimento e os testes iniciais do aplicativo de realidade aumentada começaram há um ano na fábrica-piloto de veículos do grupo, no Centro de Pesquisa e Inovação, em Munique. Essa unidade faz a “ponte” entre o desenvolvimento e a produção, fazendo com que produtos e processos de montagem sejam aprimorados até a implantação nas linhas de produção das fábricas convencionais. A fábrica-piloto é constituída por uma oficina, unidades de montagem, de construção de protótipos e de fabricação de carros conceito, além do centro de produção de aditivos e do centro de excelência para impressão 3D.