Avaliação: Honda City Touring

Sedã busca resgatar os compradores do Civic, que não é mais fabricado no Brasil

A repercussão em torno do lançamento do Honda City na configuração hatch – substituindo o compacto Fit – foi tamanha que até passou a impressão de que a versão sedã do modelo deixaria de existir. Não deixou. O City três-volumes segue no portfólio da montadora japonesa, embora bem menos festejado quando colocado ao lado do irmão hatchback.

O Honda City Touring, avaliado por GARAGEM, é a versão topo de linha do sedã. Convive com EXL e EX e custa R$ 125.300. E tem uma certa responsabilidade a partir de agora. Se o hatch tem a missão da fazer o consumidor esquecer o Fit, a City precisará ocupar a lacuna deixada pelo Civic, que não é mais fabricado no Brasil.

Para cativar os fãs de sedãs, a Honda mudou um pouco a roupagem do City, que já precisava mesmo de uma repaginada. Na dianteira, ganhou faróis com iluminação full Led, interligados por uma chamativa barra cromada, que reduz um pouco a extensão do capô. A traseira também apresenta lanternas redesenhadas com lâmpadas de Led, que se alongam para as laterais.

A tentativa de fazer as vezes de Civic é comprovada nas dimensões. A carroceria do City cresceu 9,4 cm, passando para 4,55 metros de comprimento. A largura aumentou 5,3 cm, chegando a 1,75 m, e a altura é de 1,48 m. A distância entre-eixos segue a mesma: 2,60 m. O problema para a família é que a capacidade do porta-malas encolheu de 536 para 519 litros. Notícia ruim na hora de encher o compartimento de bagagem para viajar. 

Na parte interna, o Touring avaliado tinha acabamento claro. Vai do gosto de cada um, mas prefiro o velho e bom revestimento preto, que ao menos esconde um pouco a sujeira, além de ser igualmente bonito. Eu, que dirijo frequentemente em trilhas leves, já entro no carro com medo de sujá-lo de terra. 

Quem senta no banco traseiro tem bom espaço para as pernas e saída de ar-condicionado e entrada USB. O túnel central plano permite a melhor acomodação de quem está no meio, sem precisar se encolher. O modelo é bem equipado de itens de série. Traz seis airbags, câmera traseira para manobras (com opções de mostrar só o chão ou uma visão geral lá de trás), controles de estabilidade e tração, sistema Isofix para travamento de cadeirinha infantil, sensor dos pneus, alertas de colisão frontal e de ponto cego, frenagem automática de emergência, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro e central multimídia com tela de oito polegadas.

Além de tantas tecnologias, outro destaque do City Touring é o motor 1.5, que foi aprimorado – mas sem direito a turbo, como muitos esperavam. Ele tem injeção direta e componentes mais leves. Desenvolve 126 cv de potência (11 cv a mais que o antecessor) e 15,8 kgfm de torque.

O câmbio CVT com sete marchas simuladas, de nova geração, aperfeiçoou as trocas de marchas. O sistema identifica a hora de fazer a mudança com mais precisão, refletindo em melhores desempenho e consumo. Quem também dá uma forcinha é o modo de condução Econ. 

 

Segundo a Honda, o sedã roda 9,2 km/l na cidade e 10,5 km/l na estrada com etanol e, respectivamente, 13,1 km/l e 15,2 km/l com gasolina no tanque. A velocidade máxima é de 175 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h pode ser completada em 10,8 segundos. Dirigimos cerca de 500 km numa equação de 60% em ambiente rodoviário e 40 urbano (e um pouco de caminhos de terra). O carro foi além do anunciado: média de 11,2 km/l abastecido com etanol.

O City Touring tem atributos para herdar os órfãos do Civic. A questão é que, ultimamente, já não eram muitos, pois o carro havia perdido mercado para o Toyota Corolla. Quem sabe, esses consumidores migrem para a versão hatch, que tem o frescor da novidade.