Ferrari Daytona SP3 celebra famosa corrida de 1967

De uma só vez, fabricante italiana homenageia três bólidos de competição, que ocuparam as primeiras posições das 24 Horas de Daytona

Ferrari Daytona SP3 2022 - Caderno Garagem

Em fevereiro de 1967, a Ferrari alcançou uma das maiores proezas de sua história, ao conquistar os três primeiros lugares das 24 Horas de Daytona, primeira etapa do Campeonato Mundial de Carros Esportivos daquele ano. Os três modelos que formaram uma tríade de vencedores – 330 P3/4, 330 P4 e 412 P – marcaram o auge do desenvolvimento da Ferrari 330 P3, aprimorada significativamente pelo engenheiro Mauro Forghieri em motor, chassi e aerodinâmica.

O nome da nova Ferrari evoca a lendária corrida e homenageia os protótipos esportivos da marca italiana. A Ferrari Daytona SP3, recentemente apresentada no circuito de Mugello, é uma edição limitada. No design, a escolha da carroceria Targa com capota rígida removível também foi inspirada no mundo dos protótipos esportivos. A Ferrari garante: a Daytona SP3 oferece prazer de dirigir estimulante e desempenho inigualável.

Do ponto de vista técnico, ela bebe da fonte de sofisticadas soluções de engenharia já adotadas nas corridas dos anos 1960. Ostenta motor 6.5 V12 naturalmente aspirado, montado na parte central da traseira no estilo típico de um carro de corrida. O mais icônico de todos os motores de Maranello despeja insanos 840 cv de potência – o mais potente já construído pela Ferrari – e 70 kgfm de torque a 9.500 rpm e está acoplado ao câmbio de sete velocidades.

Ferrari Daytona SP3 2022 - Caderno Garagem

O chassi é todo construído com materiais compostos, usando tecnologias da Fórmula 1 que não eram vistas em um automóvel de rua desde a LaFerrari, o último supercarro de Maranello. O assento é parte integrante do chassi para reduzir o peso e garantir ao motorista uma posição semelhante à de um carro de competição.

A ideia da engenharia foi alcançar a máxima eficiência apenas com soluções aerodinâmicas passivas. Graças a características inéditas, como extração de ar de baixa pressão da parte inferior da carroceria, o Daytona SP3 é o carro mais eficiente produzido pela Ferrari, sem recorrer a dispositivos aerodinâmicos ativos. O puro-sangue acelera de 0 a 100 km/h em 2,8 segundoss e de 0 a 200 km/h em 7,4 segundos.

Embora tenha DNA dos carros de corrida, a Daytona SP3 é revestida de formas modernas e originais. Seu poder escultural a transporta para um efeito contemporâneo. A cabine parece uma cúpula com asas sinuosas emergindo dos dois lados. A fluidez se funde com superfícies mais nítidas, para produzir a sensação de equilíbrio estético sem esforço, o que serve, há muito tempo, de assinatura da história do design de Maranello.

As asas dianteiras são um aceno à elegância escultural dos protótipos esportivos anteriores da Ferrari, como 512 S, 712 Can-Am e 312 P. O flanco traseiro se expande a partir da cintura semelhante a uma sílfide, dando origem a uma espécie de músculo que envolve a frente das rodas.

Ferrari Daytona SP3 2022 - Caderno Garagem

Outro elemento-chave são as portas estilo borboleta, com caixa de ar integrada para canalizar o ar para os radiadores montados na lateral. As formas esculturais resultantes dão às portas um ombro pronunciado, que aloja a entrada de ar visualmente ligada ao corte vertical do pára-brisa. A superfície pronunciada das portas também ajuda a controlar o fluxo de ar que sai das rodas dianteiras.

Os conjuntos dos faróis são caracterizados por um painel móvel superior, que lembra os faróis pop-up dos primeiros supercarros, tema caro à tradição da Ferrari que empresta ao modelo uma aparência agressiva e minimalista. Uma série de lâminas horizontais completa a traseira, criando a impressão de um volume monolítico leve, radical e estruturado que confere à Daytona SP3 um visual futurista e uma referência às assinaturas do DNA da Ferrari.

Ferrari Daytona SP3 2022 - Caderno Garagem

Por dentro, os designers criaram um espaço refinado, com conforto e sofisticação de um Grand Tourer moderno, mantendo a linguagem minimalista. Ele mantém a filosofia por trás de certos códigos de estilo. O painel, por exemplo, é funcional e contemporâneo. As típicas almofadas estofadas, que eram fixadas diretamente ao chassi em protótipos esportivos, transformaram-se em bancos modernos, que se moldam ao corpo.

Vários elementos externos, incluindo o para-brisa, influenciaram positivamente a arquitetura interna. Visto de lado, o recorte da grade do pára-brisa cria um plano vertical, que divide a cabine em duas. O painel estreito e tenso parece flutuar dentro do estofamento. O seu tema estilístico desenvolve-se em dois níveis: a concha superior aparada, de aspecto limpo e escultural, é separada da inferior por uma linha divisória funcional nítida.

Ferrari Daytona SP3 2022 - Caderno Garagem

Para dar ao Daytona SP3 o V12 mais estimulante do mercado, a Ferrari escolheu o motor do 812 Competizione como ponto de partida, instalando-o para a posição intermediária traseira, a fim de otimizar o layout de admissão e escapamento, bem como a eficiência fluidodinâmica. O resultado é que o F140HC é o motor de combustão interna mais potente já construído pela Ferrari.

Com a Ferrari é assim, um delicioso círculo virtuoso: enquanto houver grandes carros de competição da marca, existirão motivos de sobra – e inspiração – para criar máquinas esportivas que irão ganhar as ruas.