Testes: avaliamos o novo Peugeot 208

Versão Griffe do compacto custa quase R$ 95.000 e exibe mais esportividade, mas perde o ótimo motor 1.2 Puretech

 

“Mas essas lanternas são iguais às do Mustang!”, espantou-se um amigo que, embora tenha adorado o novo Peugeot 208, fez a ressalva sobre a traseira do hatch. Olhando bem, o desenho da lanterna do 208 realmente lembra o superesportivo. Não se sabe, porém, se os franceses beberam ou não da fonte do modelo da Ford. Se fizeram isso, merecem perdão, porque ficou lindo.

O estilo, aliás, é o ponto forte do Peugeot 208. O design estreia a nova identidade mundial da marca no mercado brasileiro. Se as lanternas conectadas por um acabamento black piano remetem ao Mustang, o conjunto óptico dianteiro esbanja originalidade. Na extremidade de cada farol – cuja iluminação é emitida por três filetes de LEDs –, há uma linha “afiada” que se prolonga até o para-choque, criando um efeito muito semelhante aos caninos do tigre dente-de-sabre.

Se esse felino da espécie Esmilodonte foi extinto há cerca de 10.000 anos, a vida do novo 208 está apenas engatinhando. Ainda na parte dianteira, a enorme grade também é um elemento que chama atenção e nela estão fixados o emblema do leão e a placa do carro.

Fabricado em Palomar (Argentina) sobre a plataforma global CMP (Common Modular Platform), do Grupo PSA, a carroceria do Peugeot 208 ficou mais encorpada comparada à do antecessor. Agora, o hatch mede 4,05 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,45 m de altura e 2,54 m de distância entre-eixos.

Não pense, porém, que tais dimensões deixaram o 208 espaçoso. Que nada. Se motorista e passageiro forem altos terão de arrastar os bancos totalmente para trás. Ou seja, adultos no banco traseiro serão algo parecido como sardinha em lata. Nessas condições, o carro é apropriado para duas pessoas – a não ser que elas levem criança atrás.

O Peugeot 208 exala esportividade, comprovando que o compacto foi mudando sua personalidade ao longo do tempo. Deixou totalmente no passado o temperamento comportado dos irmãos 206 e 207 (que no Brasil, era mais um “206 e meio”, alcunha que a marca odiava).

A partir de 2013, o sucessor 208 deu um salto na direção de uma identidade mais esportiva, ganhando, inclusive, o famoso i- Cockpit, nova experiência de dirigir como se o motorista estivesse em um pequeno carro de corrida. A grande sacada é que o aro do volante fica abaixo do quadro de instrumentos, descortinando ao piloto todas as informações exibidas pelo cluster.

A segunda geração do 208 traz agora o i-Cockpit 3D, com o painel de instrumentos em três dimensões. Parece que os gráficos holográficos vão saltar na direção do motorista, como os efeitos das produções cinematográficas 3D. Outra mudança é o pequeno volante de topo e base achatados. Até parece um kart.

Preço assustador

Em 2016, o DNA esportivo do 208 ganhou mais força com a adoção do esperto motor 1.2 Puretech de três cilindros em substituição ao 1.5. O curioso é que a atual geração do modelo deixou de lado o 1.2 e recebeu o 1.6 flex aspirado, de 118 cv de potência e 15,5 kgfm de torque. Ele acelera de 0 a 100 km/h em 12 segundos e atinge 190 km/h de velocidade máxima.

Com o tempo, a Peugeot colou o 208 na imagem de carro de nicho. Um dos significados disso é… custar mais caro. A versão Griffe – avaliada pelo Caderno Garagem – é um exemplo. Top de linha, ela sai por R$ 94.990. Sabe aquele emoji de carinha assustada que você conhece do seu smartphone? Imagine ele aqui. 

Segundo a montadora, a utilização da plataforma CMP permite que o compacto fique melhor em termos de robustez, confiabilidade mecânica, conforto acústico, nível de vibração e economia. Com etanol, as médias de consumo são de 7,7 km/l na cidade e 9,3 km/l na estrada. Abastecido com gasolina, ele faz, respectivamente, 11 km/l e 13,2 km/l. As marcas do motor 1.2 eram bem melhores – 9,6 km/l e 10,7 km/ com etanol e 13,9 km/l e 15,5 km/l com gasolina.

A verdão Griffe é recheada por uma série de tecnologias de segurança. Traz, por exemplo, alerta de colisão (que avisa o motorista sobre risco de batida ou a presença de pedestre atravessando a rua), frenagem de emergência (que entra em ação para reduzir a velocidade de impacto ou evitar colisão frontal), alerta e correção de mudança de faixa (o carro reconhece as linhas da estrada e alerta o condutor em mudança involuntária de uma pista para outra).

A presença desses recursos de última geração talvez ajude a explicar o preço beirando R$ 100.000. Mas é natural que no primeiro momento o valor assuste. Estamos falando de um compacto inserido no mercado brasileiro. E nem adianta ostentar as lanternas parecidas com as do Mustang.