BMW desenvolve projeto de motor a etanol para o seu elétrico i3

Ideia é contribuir para reduzir emissões de CO2 convertendo o motor a combustão do extensor de autonomia de gasolina para etanol

BMW i3 - Caderno Garagem

O grupo BMW do Brasil anunciou nesta segunda-feira, 28, que vai apresentar um projeto conceito no 19º Simpósio SAE Brasil de Powertrain, que ocorre entre os dias 29 e 30 de junho. Trata-se da adaptação de um motor a etanol ao elétrico i3 REX, que é comercializado pela montadora no País.

Para quem não sabe, uma das versões do compacto oferecidas em nosso mercado conta com um extensor de autonomia, um pequeno motor bicilíndrico de 650 cm³ movido a gasolina, cuja única função é produzir eletricidade para a baterias do carro nos casos em que não existe rede elétrica para abastecimento. Com isso, o BMW i3 consegue ampliar sua autonomia em até 60 km, de acordo com a montadora. O problema é que esse propulsor a combustão emite gases poluentes, contrariando o princípio de “carro elétrico limpo”.

Assim, por meio de uma parceria com a empresa AVL do Brasil, o grupo BMW está desenvolvendo um projeto para converter o motor térmico do i3 REX para etanol. Isso vai proporcionar a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera por conta do ciclo de produção da cana-de-açúcar, bem como a melhora na eficiência, graças ao uso de um motor modificado para utilização de etanol, que vai permitir extrair todas as vantagens desse combustível – o que não ocorre em um motor flex, por exemplo.

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Vantajoso, mas não para este momento

Denominado BMW i3 Zero Impact Emission CO2 Neutral Ethanol Range Extender, o protótipo traz, como principal mudança a adaptação do cabeçote do motor, com o aumento da taxa de compressão de 10:1 para 14:1. Assim, utilizando a vantagem da maior resistência à detonação do etanol, foi possível conseguir um aumento de eficiência.

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“A inovação é algo que está no DNA do BMW Group desde sua fundação, há 105 anos. Esse projeto é mais uma demonstração desse caráter e mais um passo rumo ao futuro da mobilidade sustentável, e reforça nossa estratégia de avançar em eletrificação”, declarou Herbert Negele, diretor de engenharia do BMW Group Brasil.

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A montadora, contudo, informou também que não existe data para a implementação da nova tecnologia nos veículos comercializados em série, o que parece contraditório para uma fabricante que assumiu o compromisso de ter metade de suas vendas globais compostas por carros eletrificados até 2030, e que no mesmo prazo, afirmou que vai reduzir a emissão de CO2 em 80% na produção dos seus veículos, 40% no uso e 20% na cadeia de fornecedores, quando comparado com 2019.

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