Carro autônomo só evitará um terço dos acidentes de trânsito

Estudo mostra que a tecnologia não está imune diante das complexas situações que provocam as colisões

Apesar de excluir o fator humano, os veículos autônomos não conseguirão impedir todos os acidentes

 

O desenvolvimento dos automóveis e o início de sua circulação são considerados a salvação da lavoura do trânsito, porque acabarão com os riscos de acidentes, certo? Errado! Mesmo excluindo o fator humano (leia-se motorista) da condução, a previsão de que as batidas estão com os dias contados ainda parece muito otimista. 

A conclusão é do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), centro de pesquisa americano especializado em segurança nas ruas e estradas. Segundo levantamento da entidade, os veículos autônomos provavelmente só poderão impedir um terço de todos os acidentes nos Estados Unidos – país onde mais de 36.000 pessoas morreram pela violência do trânsito em 2019.

Ou seja, de cada 10 cenários de acidentes, três ou quatro serão evitados e sete ainda acontecerão. Já é um avanço, porém, é importante entender que, por enquanto, o propagado automóvel autônomo – apesar de toda a tecnologia – ainda não representa risco zero de colisões no trânsito.

No entender do IIHS, os erros cruciais dos motoristas fazem parte de uma cadeia de eventos que terminam em colisão, incluindo circunstâncias inesperadas, ações equivocadas e más interpretações. E, diante de tamanha complexidade, nem os sofisticados sistemas automáticos trabalham com perfeição.

Dessa forma, segue o estudo, “um carro autônomo evitaria 34% das colisões simplesmente por ter uma percepção melhor da situação e não poder sofrer a influência de substâncias (como álcool e drogas) como os humanos”.

Causas principais dos acidentes

O trabalho do IIHS analisou mais de 5.000 acidentes relatados pela polícia. Os pesquisadores identificaram cinco principais causas que levam aos acidentes de trânsito:

1 – Erros de detecção e percepção: distração do motorista, visibilidade impedida e falha no reconhecimento de perigos antes que seja tarde demais.

2 – Erros de previsão: quando o motorista julga mal um fator no trânsito, estimando incorretamente a velocidade de outro veículo e fazendo suposição incorreta a respeito do que esse outro usuário faria.

3 – Erros de planejamento e decisão: dirigir muito rápido ou muito devagar para as condições da estrada; dirigir agressivamente ou deixar pouca distância do automóvel à frente.

4 – Erros de execução e desempenho: manobras evasivas inadequadas ou incorretas, entre outros erros de condução.

5 – Incapacitação: comprometimento da capacidade de dirigir devido ao uso de álcool ou drogas, de problemas médicos ou de fadiga ou sonolência ao volante.